09 de julho de 2026
Regional

Na região de Botucatu, 8% das amostras continham resíduos

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

A pesquisa desenvolvida pelo médico veterinário e professor da Universidade Federal de Viçosa Luís Augusto Nero foi realizada em 2003, para seu doutorado na Universidade de São Paulo (USP) e com colaboração da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

O pesquisador explica que a presença de antibiótico no leite cru - produto que não passou por beneficiamento - não é fraude, mas proveniente de tratamento da saúde do animal.

Ele também cita que o produtor, muitas vezes, não tem noção clara do impacto causado pela ingestão de leite com antibiótico. O principal problema é que o consumo constante e em pequenas quantidades pode causar a resistência dos microorganismos à aplicação de tratamento com antibiótico.

Foram analisadas 210 amostras de leite cru colhidas em quatro Estados do Brasil: na região de Viçosa (MG), região de Pelotas (RS), região de Londrina (PR) e na região de Botucatu (SP). O estudo detectou resíduos de antibióticos em 11,4% das amostras, sendo 8% na região de Botucatu, 20,6% na região de Londrina, 8,5% na região de Viçosa e 6% na região de Pelotas. Nero contou com apoio da Unesp de Botucatu, UEL e da Universidade Federal de Pelotas.

Tolerância

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina limites máximos tolerados de substâncias químicas em alimentos. A pesquisa feita por Nero tem o mérito de precisão ao analisar, por exemplo, 50 amostras de leite em Botucatu e localizar antibiótico em quatro delas (8%). “Provavelmente, essas quatro amostras estavam com concentração acima do limite máximo”, revela.

No entanto, o método utilizado era qualitativo e não tinha como objetivo precisar as quantias exatas, e sim a presença ou ausência de resíduos antibióticos. No entanto, a importância do estudo é que dificilmente se constataria a presença do resíduo numa grande quantidade prestes a entrar em um laticínio. “Diluiria demais a quantidade de antibiótico e reduziria a concentração. Aí sim estaria abaixo dos níveis recomendados”, salienta.

A recomendação é de que animais em lactação e que passem por tratamento tenham o leite descartado. O sistema fiscaliza mensalmente e de forma aleatória se o produto tem presença de antibióticos.

Para Nero, a indústria é, sim, um filtro eficiente. Financeiramente, ele pondera que em um laticínio os derivados possuem maior valor agregado - queijo, iogurte, manteiga. “Se na matéria-prima tiver resíduos antibióticos, a indústria não vai ter um aproveitamento bom para os derivados”, finaliza.