09 de julho de 2026
Geral

Restrição à Internet beneficia empresa

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Para evitar que os funcionários gastem mais tempo do que o aceitável na frente de um computador, algumas empresas estão restringindo o acesso a e-mails pessoais, Orkut, MSN e a algumas páginas com conteúdos que num primeiro momento nada tem nada a ver com trabalho, como MP3 e sites pornográficos, por exemplo.

Segundo o engenheiro de software Kleber Rocha de Oliveira, 34 anos, coordenador do curso de tecnologia em sistemas de informação das Faculdades Integradas de Bauru (FIB), as empresas estão percebendo que o acesso irrestrito ao mundo virtual reduz a produtividade dos funcionários e coloca a segurança da empresa em risco, por causa dos vírus.

O primeiro passo dessas empresas é tentar conscientizar os empregados a utilizar o computador de maneira racional. Se a iniciativa não dá resultado, o segundo passo é partir para a ameaça de demissão em caso de exagero no uso da Internet. Se mesmo assim a situação continuar sem controle, passa-se então ao bloqueio de algumas páginas e serviços oferecidos pela Internet, à dispensa do funcionário ou então ao desconto na folha de pagamento de eventuais prejuízos causados à empresa pelo uso incorreto ou indevido do computador.

Segundo Oliveira, que presta serviço de consultoria a empresas, as restrições costumam dar certo. “Antes, os problemas (decorrentes do mau uso da Internet) eram semanais. Agora (com as restrições), eles aparecem a cada quatro meses, em média”, revela ele, considerando a realidade atual das empresas em que presta serviço.

A MT Criativa, que trabalha com consultoria em produtividade empresarial, divulgou uma pesquisa no ano passado em que 75% das empresas consultadas afirmaram adotar uma política de controle do uso de e-mails, Internet e mensagens instantâneas.

De acordo com o levantamento, construir e implementar uma política como essa exige educação, mudança de cultura e participação da equipe na solução. Foi a primeira pesquisa realizada no País sobre a relação entre o uso de e-mail e produtividade.

Segundo a MT Criativa, as reclamações sobre o excesso de e-mails e a questão da produtividade eram grandes. Por isso, a pesquisa foi realizada. Foram ouvidas 52 empresas de todo o Brasil, com 200 funcionários ou mais.

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O vilão

Além de fazer as pessoas gastarem tempo desnecessariamente, algumas mensagens de e-mail são excelentes veículos de propagação de vírus, sobretudo se vierem com arquivos anexados. “Por isso, recomenda-se nunca baixar um ficheiro (arquivo) tipo ‘.exe’ (executáveis) ou outros suspeitos”, aconselha Agnelo Rodrigues Mello Filho, diretor do Serviço Técnico de Informática da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. Segundo ele, outra dica importante é nunca abrir um e-mail de procedência desconhecida, exceto se for de um site confiável. Mesmo assim, deve-se observar os procedimentos de segurança.

De acordo com ele, existe uma variedade enorme de softwares de antivírus no mercado. Uma parte deles, gratuita. “Independentemente de qual você usa, mantenha-o sempre atualizado. Isso porque surgem vírus novos todos os dias e seu antivírus precisa saber da existência deles para proteger seu sistema operacional”, recomenda. Mello Filho lembra que a maioria dos softwares antivírus possui serviços de atualização automática.

Para o engenheiro de software Kleber Rocha de Oliveira, 34 anos, coordenador do curso de tecnologia em sistemas de informação das Faculdades Integradas de Bauru (FIB), atualmente, os e-mails são os principais vilões do computador. “Antigamente eram os disquetes, hoje são os e-mails”, observa.

Segundo ele, é preciso estar sempre atento para não permitir a ação de intrusos. Oliveira diz que abrir os e-mails é igual a abrir as portas de casa. É preciso saber quem está batendo. “Abrir todos os e-mails que chegam é a mesma coisa que abrir a porta de casa para todo mundo que bate e deixá-los entrar. Isso pode causar sérios prejuízos”, alerta.

Na opinião de Mello Filho, muitos dos aborrecimentos são provocados pela falta de conhecimento da maioria dos internautas a respeito dos spams - mensagens de e-mail não desejadas e enviadas em massa para múltiplas pessoas por um spammer. Segundo o diretor do STI, essas mensagens normalmente possuem códigos maliciosos e vírus diversos.

Segundo estatísticas da empresa anti-spam IronPort, o volume global de spams quase dobrou de 2005 para 2006. Em outubro de 2005 eram 31 bilhões de mensagens diárias. Em 2006, saltou para 61 bilhões de e-mails circulando por dia. A tendência de aumento deve se manter em 2007, visto que o número de spams continua subindo.

A única forma de evitar o spam é não usar e-mail. As mensagens indesejadas são problemas de difícil solução. Os programas anti-spam podem ajudar, mas não impedem totalmente a ação dos spammers.