09 de julho de 2026
Nacional

Emílio Santiago canta ‘de um jeito diferente’

Por Luiz Fernando Vianna | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Aos 60 anos, Emílio Santiago emite um forte sinal de rejuvenescimento - ou maturidade, o que é melhor. O CD “De um Jeito Diferente”, apropriado título tirado da faixa de abertura, faz jus a seu talento, ao contrário de boa parte do que lançou até hoje.

O cantor assinou com a Indie Records em 2005 para fazer o que a gravadora mais gosta: disco ao vivo. “O Melhor das Aquarelas” remetia àqueles sete volumes “Aquarela Brasileira”, que fizeram de Emílio um intérprete popular, mas previsível, quase insuportável. Já o Emílio que aparece em seu novo trabalho é o dono de envolvente suingue, que empresta sua voz a um bom repertório e o reveste de excelente arranjos, executados por grandes músicos.

João Donato faz uma cama de luxo para o cantor na faixa-título - bossa nova encorpada, com traços de bolero, feita pelo pianista com o irmão Lysias Ênio - e em “Um Dia Desses”, melodia balançada com letra de Carlinhos Brown que é... uma letra de Carlinhos Brown. Marcos Valle se faz mais presente, tocando seu piano ou seu rhodes em quatro faixas.

“Água de Coco”, parceria com o irmão Paulo Sérgio, lembra bem as gravações de Valle, com a voz dobrada de Emílio integrada à banda e um coro feminino. Em “Disfarça e Vem” (letra de Ronaldo Bastos) e “Valeu” (de Joyce), os sopros contribuem para o molho com que Emílio tempera as divisões dos sambas. Já “Até o Fim” (de Valle e Carlos Lyra) é macia, bossa nova, terreno que o cantor domina.

O bolero “E Era Copacabana” (Joyce/Lyra) é mais intenso nos traços nostálgicos. Das três faixas assinadas por Mart’nália, “Não me Balança Mais”, com sua mistura de Cuba com Pernambuco, é a que tem melhor resultado, com Emílio saboreando a letra sensual sem passar do ponto.

Em “Calma”, ele se arrisca num falsete que não lhe cai bem. A já conhecida “Olhos Negros”, além de ser uma bela parceria de Johnny Alf com Ronaldo Bastos, tem Nana Caymmi como segunda voz. Bem mais conhecidas são “My Foolish Heart” e “Dindi”. Com uma introdução só de piano, lembrando a versão de Tony Bennett com Bill Evans, o standard norte-americano fica bem na voz de Emílio. Mas o clássico de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira fica ainda melhor, coroando a proposta cool do disco e - espera-se que não só neste projeto - do cantor.