09 de julho de 2026
Regional

Cortadoras de cana se transformam em costureiras industriais

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A rotina diária de Tatiane Cristina Leôncio, 26 anos, e Maria José Caetano da Silva, 28 anos, mudou. E desta vez para melhor. Elas “agarraram” uma chance e estão se saindo bem na nova profissão. Deixaram o corte de cana na lavoura e passaram a costurar calças jeans em uma fábrica na cidade de Macatuba.

Tatiane e Maria fazem parte do rol de mulheres que participaram do curso de profissionalização oferecido em parceria pela Prefeitura de Macatuba e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), visando direcionar a mão- de-obra não-qualificada para o mercado de trabalho, prevendo a mecanização dos canaviais.

Vida dura

Durante quatro anos, Tatiane Leôncio acordava por volta das 4h, aprontava a marmita e ia para o ponto do ônibus. Quando o sol aparecia no horizonte, ela já estava no corte de cana-de-açúcar. Não era o melhor trabalho do mundo, mas lhe rendia algum dinheiro para ajudar no orçamento familiar.

No começo deste ano, Tatiane teve - e não deixou escapar - a oportunidade de mudar de profissão e trocar a foice por agulhas e linhas. Deixar a lavoura e sentar-se em frente a uma máquina de costura.

Não mediu esforços e foi. No começo encontrou dificuldades. “Era tudo diferente. As mãos eram duras para mexer com linha e agulha. Mas levei muito a sério as aulas de costura do Senai”, diz Tatiane orgulhosa de si mesma por ter conseguido vencer as dificuldades iniciais.

Depois de seis meses, ela tinha certeza de que o investimento valeu a pena. “Assim que me formei, fui procurar emprego em uma das fábricas de jeans da cidade. Ninguém queria me empregar porque faltava a experiência. Mas acabei vencendo mais essa dificuldade também, com pessoas que não se importam em dar oportunidade a quem precisa e quer vencer.”

Sonho realizado

A história de Maria José Caetano da Silva não foi muito diferente. Durante cinco anos ela cortou cana na roça. O sol, o trabalho forçado e pouco período de descanso não satisfazia os desejos da jovem mulher. “Eu sonhava em deixar aquele serviço, mas as opções para quem não tem estudo, são poucas.”

No corte de cana, o corpo sofria, frisa a costureira. “No fim do dia, meu corpo apresentava sinais de cansaço e minhas costas doíam muito.”

Nas aulas de costura, Maria José se sobressaiu, conta eufórica. “Quando me formei, a professora me indicou para essa fábrica. Vim direto trabalhar. Eu queria muito mudar de profissão. A vida na roça é muito sofrida.”