Poucos filhos podem ser sinônimo de economia, de uma vida escolar de melhor qualidade, de mais atenção dos pais e avós e outros benefícios, mas não conseguem superar as grandes famílias em alguns aspectos. Entre as vantagens de se ter vários irmãos está a de poder dividir alegrias e angústias com outras pessoas dentro da própria casa.
“Quando você tem vários membros dentro da família para diluir suas angústias, as coisas se tornam mais fáceis. É possível lidar melhor com os problemas”, argumenta a socióloga Maria Antônia Vieira Soares, do Departamento de Ciências Humanas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. Segundo ela, o ser humano precisa muito estar ligado a laços fraternais.
“Em termos econômicos e de planejamento das políticas públicas, isso (famílias com poucos filhos) pode ser uma maravilha, mas em termos de convivência é um pouco complicado”, diz a socióloga. Para Maria Antônia, as crianças precisam de irmãos para aprender a dividir. Isso, de certa forma, ajudaria no desenvolvimento de personalidades mais voltadas ao coletivo. “Uma das coisas seríssimas do mundo contemporâneo é o estímulo ao individualismo”, critica.
Na opinião dela, uma criança sem irmãos não significa necessariamente que se transformará em um adulto egocêntrico. Aliás, esse era um dos juízos morais reinantes nas décadas passadas, segundo a psicóloga Alessandra de Castro Roma, 26 anos. Ela lembra que praticamente todo filho único era taxado de mimado e egoísta pela sociedade.
Essa imagem começou a cair por terra na década de 1980, quando surgiram os primeiros estudos mostrando que ser único não é sinônimo de problemas comportamentais. Segundo Alessandra, o que vai definir o caráter dos filhos, na maioria dos casos, são os exemplos e a educação recebida dos pais, tios, avós e de outras pessoas de seu convívio social.
De acordo com ela, os problemas podem surgir, por exemplo, quando um filho é superprotegido ou quando ele passa a se sentir um “reizinho” dentro de casa ou na escola. “Ele quer atenção só para ele. Não sabe dividir isso com outra pessoa”, cita. Quando se vê privada dessa atenção exclusiva, a criança pode se tornar agressiva e depressiva, segundo a psicóloga.
A primeira coisa a se fazer para evitar essa situação é abrir a família para o mundo externo. De acordo com Alessandra, isso significa abrir a casa para amigos, parentes e, principalmente, crianças. Ou então permitir que o filho vá brincar na casa de colegas.