08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

É possível exigir unanimidade?


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Sinto-me na obrigação de esclarecer as cartas e comentários que vêm sendo publicados nesta coluna a respeito do estabelecimento comercial, situado na rua Benjamim Constant, quadra 10, no Jardim Higienópolis, coluna esta que, por sinal, é um canal aberto oferecido pelo JC à comunidade para que possa expor seus anseios, críticas e opiniões.

Gostaria, primeiramente, de deixar claro que nós, como proprietários do bar em questão, temos conhecimento das reclamações de alguns poucos vizinhos, pois sabemos que em número são menos do que os que aprovam a existência do mesmo funcionando e sendo administrado como é hoje. Também gostaria de dizer que a nossa documentação está em ordem e obedecendo as exigências dos órgãos responsáveis na medida do possível. Como uma questão de bom senso, há muito tempo instituímos um horário para o fechamento, em respeito à nossa vizinhança, que, como nós, pagam seus impostos e têm direito ao seu descanso. De segunda-feira a sexta-feira, paramos de servir a 0h30, o que chamamos de saideira. Aos sábados, isso acontece às 20h30. A partir desse horário, começamos a fechar e isso, literalmente, se dá entre 1h e 1h30 durante a semana e entre 21h e 21h30 aos sábados. Não abrimos domingos e feriados. Não permitimos que clientes liguem o som de seus carros “estacionados” nas imediações do bar, que permaneçam no mesmo em trajes inadequados (sem camisa, por exemplo), praticamos o consumo responsável não vendendo bebidas alcoólicas e cigarros para menores, vigiamos, na medida do possível, os clientes que estacionam irregularmente, podendo atrapalhar as entradas de garagens de nossos vizinhos, apesar de não termos autoridade para adverti-los e muito menos para puni-los por isso.

Bem, acredito que viver em sociedade é uma tarefa difícil, pois sempre haverá alguns inconvenientes, o cachorro do vizinho, o marido que briga com a esposa, o lixo na calçada... Acredito também que morar ao lado de uma escola, de uma igreja, de um hospital e de um supermercado, assim como de um bar, também tenham seus inconvenientes, mas eles necessitam coexistir. Para isso, precisamos respeitar o princípio de eqüidade, ou seja, a disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um. Realmente é difícil reconhecer o direito do outro, da escola, da igreja (isenta de impostos), do supermercado, do bar... Que também pagam seus impostos que não são poucos, dão emprego e, de alguma maneira, oferecem algum tipo de serviço a essas pessoas que estão à sua volta. Não queremos de maneira alguma prejudicar e muito menos travar uma guerra entre vizinhos e bar, onde uma das partes tenha que sair vitoriosa. Queremos apenas trabalhar com honestidade, que é o que fazemos, e coexistir. Afinal, esse estabelecimento existe há mais de 30 anos e sob nossa direção há quatro anos e meio, em um bairro que a Lei de Zoneamento define como Zona Mista (ZR2), ou seja, comercial e residencial, ao contrário do que poucos afirmam como Zona Estritamente Residencial. Acredito que a maioria dos vizinhos já estava ciente da realidade local, principalmente os reclamantes que se instalaram nas imediações há menos de dois anos. Sempre estivemos abertos para ouvir os problemas que possam trazer dissabores aos nossos vizinhos. Na medida do possível, fazemos ajustes e mudamos a forma de trabalho para atender as suas reivindicações.

Esse estabelecimento tornou-se hoje referência para a nossa cidade, por oferecer produtos de qualidade, bom atendimento e preço honesto em um ambiente familiar. Ainda foi contemplado com o reconhecimento da Ambev por servir aos seus clientes o melhor chope da região. Tudo isso é motivo de grande orgulho, não só para nós, como para a nossa cidade que ruma ao desenvolvimento, mas é claro que a custo de muito trabalho, respeito e honestidade. Quero ressaltar, ainda, que pessoas de “bem” também freqüentam bares e não apenas bêbados e desocupados. Pessoas que dão o seu suor durante o dia em seus trabalhos, empresários, autônomos, advogados, enfim, pessoas honestas, pais de família, que, no seu merecido descanso, procuram um lugar como esse para bater um bom papo, beber e petiscar algo no fim do dia.

Em nível de informação, gostaria de citar que recolhemos assinaturas de moradores das imediações do bar (apenas das imediações) que concordam com a existência do mesmo e com o modo como ele é administrado por nós. Para a nossa surpresa, esse abaixo-assinado conta com 53 assinaturas de vizinhos, isso traduzido em números ficou assim: 38 residências a favor; sete residências contra; e nove neutras. Resultado: aproximadamente 87% de aprovação. Agora, eu pergunto: qual é o significado da palavra democracia? É possível exigir unanimidade?

Paula Lamberti - RG 20.052.625