09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Eleições do diretório municipal do PT


| Tempo de leitura: 3 min

Embora não seja militante de nenhum partido político, sinto-me no direito de cidadão de me posicionar sobre as eleições do Diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) de Bauru. Em todos os anos em que se disputa o diretório local do PT, as acusações entre as chapas e as tentativas de impugnações surgem no intuito de desmoralizar o adversário.

Entretanto, algo me inquietou esta semana ao verificar que as acusações ora travadas entre os atuais dirigentes (direita do PT) e seus eternos opositores (esquerda do PT), são as mesmas desde que Estela Almagro, atual presidente do diretório local, encontra-se na presidência. Logo, o fato do “racha” existente entre os militantes locais, não me revela outra coisa, senão o reflexo da aglutinação do poder que vigora há quase uma década nas mãos de Estela Almagro, bem em razão do “perpétuo” mandato do vereador José Carlos de Souza Pereira, o Batata. Como se não bastasse, ora querem se manter no poder indicando Alecssandro Bussola para presidência, assim como agiram no passado. Importante salientar que nada impede que Alecssandro Bussola dispute o diretório, porém, essa “sucessão em família” deveria prosseguir com esclarecimentos acerca de sua pretensão para com o diretório, ou seja, se continuará sendo partidário de alianças ilegítimas, assim como ocorrido com o PSDB; se apresentará justificativas sobre as acusações de negligência na gestão do partido durante todos estes anos. Tal noticiário é remansoso e nunca fora apurado. É hora de se investigar! Na cidade de Bauru nunca se viu um PT representante de seus ideais originários, de socialismo e democracia, até porque seus atuais representantes nunca se mostraram políticos, mas politiqueiros. Tanto é que outra denúncia a ser dirimida é de que a direção do PT local usa de subterfúgios para evitar disputas na sucessão do diretório. Como se sabe, ou se não se sabe, a ficha de filiação ao PT do candidato oposicionista à presidência, Jorge Moura, ficou engavetada desde setembro de 2005 a março deste ano, quando finalmente fora encaminhada ao Diretório Nacional.

Esta foi a manobra do PT local para impedir a candidatura da oposição, haja vista que, para ser candidato a presidente é necessário filiação com mais de um ano. Entretanto, tal questão já chegou ao Diretório Nacional do PT corroborada de provas materiais (ficha de filiação e recibo de pagamento do ano de 2005), as quais derrubam e desmentem a tese situacionista.

Ora, se o próprio Alecssandro Bussola assinou a ficha de filiação e o recibo de pagamento da anuidade do partido no ano de 2005, como pode alegar que não houve filiação tempestiva do candidato Jorge Moura? No mínimo estranho se cobrar em razão da filiação de alguém que não é filiado!

Afora todo este debate que transcende e fere a democracia, entendo que a política bauruense deve ser reinaugurada por uma atuação sólida, que não venha a ser diluída por entrelaces partidários espúrios.

As atitudes de infidelidade ideológica partidária e programática, bem como de unilateralidade nas decisões do diretório local, acompanhadas de irregularidades, são, no mínimo, desrespeitosas para com os demais filiados.

Apesar dos chavões “direta” e “esquerda” terem perdido seu significado na prática, importante é o restabelecimento desses conceitos-ideológicos. É isso é o que se vê neste novo grupo petista constituído para disputar as eleições no dia 2 de dezembro. Nunca se viu uma união de petista na cidade de Bauru com tamanho apoio das mais diversas classes, o que, a meu ver, demonstra sua legitimação, no rigor da palavra, para o pleito democrático e para a conquista. Acredito que um novo significado se dará ao PT local, ressuscitando o necessário rigor ideológico petista: a luta pelo trabalhador e pelo movimento social.

Luiz Henrique Martim Herrera - universitário