11 de julho de 2026
Cultura

Aos 84 anos, artista plástico Walther Mortari prova que tem fôlego e se lança como escritor

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Uma hora ele pinta, outra faz esculturas. Entre uma coisa e outra, vai pescar. O segredo para manter a juventude aos 84 anos é justamente não parar. “Como eu falo no meu livro ‘pedra que rola num cria limbo’”. Simples assim, o artista plástico e agora escritor bauruense Walther Mortari compartilha suas memórias em “Reminiscência”, obra lançada nesta noite no Metropolitan Mall, pela editora Cá Entre Nós.

Durante o evento, a artista Sueli Dabus exibe obras de seus alunos Alaíde Jacob, Caio Freitas, Maria Antonia Camolesi, Marli Hueb, Marilena Salomão, Nadir Freitas e Virgína Farha. A exposição fica aberta para visitação até o dia 30 de novembro, das 9h às 18h, no próprio local.

Os fragmentos reunidos em “Reminiscência” não foram escritos de uma hora para outra. “Questão de dois, três anos, comecei a escrever pequenas passagens e publicava nos jornais”, conta Mortari. Vários desses artigos, principalmente os relacionados à pesca, foram divulgados pelo Jornal da Cidade.

Sem pressa, o velho garoto rascunhou toda a obra à mão, sentado na mesa de sua casa. Depois de corrigido, o trabalho foi datilografado. O computador só entrou na história no momento de mandar as páginas para a editora. “Minha filha que passou tudo no computador”, diz o homem, pai de quatro filhos, avô de nove netos e bisavô de uma garotinha.

Os textos - onde narra algumas pescarias, escreve sonetos e fala das prosas e mentiras contadas no antigo Bar Cristal, que funcionava na rua Primeiro de Agosto - são cortados por uma ou outra ilustração. Todas feitas pelo próprio Mortari com uma caneta esferográfica. “São desenhos simples, nada sofisticados”, acrescenta. A renda obtida com a venda do livro será destinada à Creche e Centro Educativo Monteiro Lobato, de Bauru.

Antes de escritor...

Bancário aposentado, Walther Mortari nunca precisou viver da arte ou “então teria morrido de fome”, diz. Apenas depois de encerrado o expediente no banco que ele se permitia à pintura, no cavalete armado em sua casa.

Com um estilo que fugia ao acadêmico, as únicas aulas que o pintor recebeu foram dadas por Angelina W. Messenberg, nome que hoje batiza a Galeria Municipal.

“No meu trabalho, eu costumo colocar para fora o que estou sentindo. São as minhas impressões. Costumava dizer aos meus alunos: se um dia virem um trabalho bem elaborado com a minha assinatura, podem ter certeza de que é falso”, afirma Mortari.

Ao longo da carreira como artista plástico, recebeu diversos prêmios e menções honrosas, com destaque para a Menção Honrosa na AABB do Rio de Janeiro, em 1960; Medalha de Bronze no Salão Paulista de Belas Artes de 1972 e a Grande Medalha de Bronze no Salão Livre da Associação Paulista de Belas Artes, em 1982.

Suas obras fazem parte dos acervos do Centro Cultural e Museu Ferroviário Regional, de Bauru; Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva, de São José do Rio Preto; Associação Paulista de Belas Artes, e dos Ministérios da Cultura do Suriname e Guiana Francesa.

• Serviço

Livro “Reminiscência”, de Walther Mortari, será lançado hoje, às 20h, no Metropolitan Mall (rua Luso Brasileira, 4-44). A entrada é gratuita.