11 de julho de 2026
Internacional

No Paquistão, juiz deposto pede resistência à ditadura de Musharraf

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Islamabad - O presidente alijado da Suprema Corte paquistanesa, Iftikhar Chaudhry, lançou um apelo para que os cidadãos “se levantem e restaurem a Constituição”, suspensa desde sábado pelo ditador Pervez Musharraf.

Chaudhry, que está em prisão domiciliar, discursou de um aparelho celular conectado a alto-falantes na Associação de Advogados de Islamabad, a capital do país. “É um momento de sacrifício”, disse ele. “Não temam. Deus nos ajudará, e chegará o dia em que teremos novamente a Constituição soberana e nenhuma ditadura”.

Ativistas de direitos civis fizeram manifestações em Islamabad, mais tarde, os protestos ficaram circunscritos ao meio jurídico paquistanês. A polícia prendeu ontem 50 advogados que ensaiavam uma passeata em Lahore, a segunda maior cidade do país. Em Multan, a sudoeste, policiais impediram que cerca de 1.000 advogados fizessem manifestação contra a decretação do estado de emergência, contra as prisões - de 2.500 a 3.500, desde o fim de semana - e contra a censura à mídia que se seguiram.

Os advogados de Multan atiraram pedras à barreira de policiais, que reagiu com golpes cassetetes, provocando ferimentos em uma dezena de manifestantes. Outros incidentes ocorreram em Gujranwala.

Demissões no Judiciário

Musharraf demitiu oito ministros da Suprema Corte, integrada por 17 membros, substituindo-os por juízes favoráveis ao governo. Aquela corte julgaria nesta semana a legalidade da recente “reeleição” do ditador à chefia do Estado, com a tendência de impugná-la, na medida em que ele acumula o Executivo com a chefia do Estado-Maior das Forças Armadas - algo que a Carta paquistanesa veta.