09 de julho de 2026
Internacional

Bomba deixa 50 mortos no Afeganistão

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Cabul - Em um dos mais sangrentos ataques do ano no Afeganistão, a explosão de uma bomba em meio a um grupo de legisladores deixou, entre mortos e feridos, mais de cem vítimas ontem, incluindo parlamentares e crianças. O ataque ocorreu na Província de Baghlan, ao norte de Cabul, um local comumente tido como estável.

O caos gerado pelo atentado impediu até as 19h30 a definição do número oficial de mortos. O jornal “The New York Times” afirma que morreram mais de 26, enquanto o jornal britânico “Guardian” fala em mais de 50 corpos. Se este número for confirmado, será o pior atentado no Afeganistão desde a derrubada do regime do Taleban por tropas lideradas pelos EUA em 2001.

Segundo a imprensa local, a explosão matou pelo menos cinco legisladores, inclusive Mostafa Kazemi, líder e porta-voz do maior partido de oposição do país, a Frente Nacional. Crianças de uma escola próxima também foram atingidas.

Legisladores informaram que 18 dos 249 parlamentares da Câmara do Afeganistão haviam viajado para Baghlan em uma missão econômica. “Este ato terrorista atroz foi um ataque contra o islã e a humanidade, e eu o condeno nos termos mais fortes”, afirmou o presidente afegão, Hamid Karzai. Nenhum grupo assumiu a autoria do atentado.

O coronel David Accetta, porta-voz militar dos EUA, disse que a explosão teve características de ataques anteriores perpetrados por milícias do movimento radical islâmico Taleban, mas um porta-voz do grupo no Paquistão negou participação.

Instabilidade crescente

O conflito no Afeganistão não cedeu - e nos últimos anos parece recrudescer - desde a derrubada rápida do regime Taleban pelas tropas lideradas pelos EUA em 2001, pouco depois do 11 de Setembro, sob acusação de apoiarem a rede terrorista Al-Qaeda.

Seis anos depois, cerca de 50 mil soldados internacionais enfrentam seu período mais mortífero no país: 5.700 pessoas morreram em confrontos em 2007.

A região mais conturbada é o sul, bastião da resistência do Taleban, com destaque para a Província de Helmand, onde terroristas supostamente se apóiam na produção recorde no mundo de ópio para financiamento. O leste é também altamente instável, e ao longo da fronteira com o Paquistão os EUA afirmam que se escondem terroristas da rede Al-Qaeda.