08 de julho de 2026
Regional

Falso delegado aplicou golpe em Jaú

Por Cláudio Dias | Tribuna Impressa especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

Araraquara - A falsa Agência Nacional de Combate a Crimes Ambientais criada pelo suposto delegado ambiental E.R.A., de 45 anos, pode ter deixado cerca de 200 vítimas espalhadas em mais de dez cidades paulistas, como Jaú. Essa é a estimativa inicial da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Araraquara (117 quilômetros de Bauru), que começou a fazer análise dos documentos apreendidos no escritório do estelionatário.

O alvo principal do esquema eram as madeireiras. A polícia pede que empresários procurem a delegacia para auxiliar na investigação. O falso delegado também vendia autorizações profissionais de pesca e se preparava para criar uma filial da agência em São Carlos.

“Já avaliamos 56 processos apreendidos e tem muito mais”, diz o delegado Luiz Armado Goyos Ferreira. Além de Araraquara, os policiais identificaram vítimas em São Carlos, Matão, Barretos, Ibaté, Jaú, Sertãozinho, Olímpia, Severínia, entre outras cidades.

Em depoimento, segundo a polícia, o falso delegado nada quis declarar. Já R.F.P.M., 37 anos, que auxiliaria nas fiscalizações, negou envolvimento e afirmou apenas trabalhar na agência. A estimativa é que o prejuízo que a quadrilha teria provocado passe de R$ 500 mil.

A DIG descobriu que o estelionatário comprou a viatura falsa, outros dois carros e mobiliou o escritório usando o nome de uma cabeleireira, que seria amiga da esposa do falso delegado. Ele gastou R$ 150 mil. Entre os documentos, também foram apreendidas carteirinhas limpas para autorizar a pesca para pescadores profissionais. Um funcionário lembra ter emitido uma carteira desse modelo.

O tenente Leandro José Oliveira, comandante do pelotão da PM Ambiental, ficou surpreso com a prisão. Eles chegaram a receber informações desencontradas do estelionatário e buscavam apurar o caso. O esquema da falsa agência contava com golpes aplicados em terceiros, venda de autorizações mentirosas para empresas e a autuação de madeireiras para recolher o dinheiro da multa. O grupo utilizava uniformes e carteirinhas falsas.

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Crime

Além de procurar as madeireiras, a falsa agência abusava da confiança de empresas alegando ser representante do Ministério do Meio Ambiente na cidade e ser contratada para intermediar e emitir certificados anuais de licença ambiental.

Sem se identificar, a funcionária de uma metalúrgica conta ter negociado com o falso delegado até semana passada. “Ele disse que tinha aberto um processo no Ibama para resolver o problema, mas chequei lá e não tinha nada, por isso não paguei pelo serviço”, relata.

Para forçar o pagamento, o suposto delegado afirmava ter pago quatro guias no valor de R$ 300,00 cada, mas apresentava documentos sem a confirmação bancária. “Eu desconfiei que era coisa errada”, conta a funcionária.