A lagoa ou açu de Parambu, no Ceará, era tão grande que mais parecia uma fatia farta do mar. Haviam traíras de cujas espinhas podia-se fazer cabides ou pentes.
Na lagoa, já tinham falado de peixe grande e muitos haviam dito ter visto o tal peixe “com esses olhos que a terra há de comer”, tanto que garantiam que o peixe não viria em anzol nenhum nem em tarrafa pequena.
Cada um afirmava um tamanho diferente de peixe, mas nenhum deles calculava o tamanho do traíra. Seu Antonio Araujo, por exemplo, não era um dos que acreditava em qualquer conversa. Sabia que as traíras grandes estavam lá, por isso levou muitas iscas, daí a espera pelo peixe, que um dia seria fisgado.
E o peixe chegou, sentiu a fisgada e firmou ainda mais o caniço, que se vergava na luta que começava. Seu Antonio dava um arranque com a vara e o peixe botava a cabeça para fora d’água. Não dava para medir o tamanho, mas parecia ser grande.
Na luta, o caniço mostrava que em breve se quebraria, mas a força era vencida pela força do peixe, que até parecia trazê-los para a lagoa em vez dela sair.
Lutaram por um tempo que pareceu infinito e o peixe não saía da lagoa. Até que a grande traíra quebrou a linha e escapou. Senhor Antonio Araujo voltou para sua casa e dona Maria, esposa, e Paloma, a filha, perguntavam: “Cadê o peixe?”.
“Escapou, escapou, foi para Alagoas ser candidata a federal ou senadora.”
Luiz Claudio Frederico é pescador e contador de histórias.