08 de julho de 2026
Regional

Pedido de Processante contra Bugareli pode ser arquivado

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Marília - O pedido de instalação de uma Comissão Processante (CP) para cassar o prefeito Mário Bugareli (sem partido) não ganhou força na Câmara Municipal de Marília (100 quilômetros de Bauru). A possibilidade da representação se transformar em CP é vista como remota pela maioria dos 13 vereadores.

O prefeito é acusado de cometer improbidade administrativa na concessão de bolsas de estudos para atletas, pessoas carentes e servidores. Na sessão da próxima segunda-feira, os parlamentares devem discutir a representação. Matéria na edição do JC da última terça-feira já apontava para a rejeição do Legislativo em aprovar uma processante.

Os argumentos políticos que circulam no Legislativo avaliam que é casuísmo cassar o prefeito um ano antes das eleições municipais. O sentimento da maioria dos vereadores é que não faz sentido instalar uma CP que teria o caráter meramente político. As discussões, inclusive, vão de encontro aos interesses da prefeitura que vê na representação apresentada tanto na Câmara Municipal quanto no Ministério Público (MP) do Estado de São Paulo motivação política.

Dois promotores, da 4.ª e 9.ª Promotorias de Justiça da Comarca de Marília, instauraram inquéritos para investigar as denúncias de irregularidade na concessão de benefícios.

Um advogado consultado pelo JC, que preferiu não se identificar, avaliou, ontem, que juridicamente não se configura ilegalidade. No entanto, ele explica que pode se considerar o aspecto imoral caso os beneficiários não cumpram os requisitos. O advogado lembra que a lei que institui as bolsas foi elaborada junto com representantes de MP e caberia ajustes. Entre as correções estaria a retirada de pessoas que hoje não atuam mais como atletas.

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‘Sou atleta’

Um dos beneficiados com a bolsa atleta, o aluno de medicina Daniel Heubel Albertoni, 22 anos, procurou o JC, ontem, para reafirmar sua condição de jogador de basquete. Ele recebe uma bolsa mensal integral no valor de R$ 3.478,71. Albertoni diz que cursa o quarto ano de medicina e é bolsista desde o primeiro ano do curso. “Minha condição está totalmente legal. E hoje eu jogo por Marília em todas as competições de basquete masculino nos Jogos Regionais, Jogos Abertos e Liga Municipal.”

Ele nega descumprir alguns compromissos, como treinos, em virtude de cursar medicina, curso integral. Albertoni alega que Marília não possui um time profissional e os treinamentos não ocorrem diariamente. No entanto, treina um mês antes do início dos Jogos Regionais, três a quatro semanas antes dos Jogos Abertos e duas a três vezes por semana para as competições da Liga Municipal. “Não é assim, treina quatro horas por dia e é incompatível com medicina”, explica. Albertoni diz que seu pai, Luiz Antônio Albertoni, não tinha vínculo algum com o então prefeito Abelardo Camarinha, hoje deputado federal pelo PSB. Há um ano, Luiz é assessor de Camarinha.

“Eles estão querendo vincular isso porque meu pai, não faz um ano, é chefe de gabinete do deputado. Quando pleiteei a bolsa não tinha nada a ver. Meu pai sempre foi amigo dele”, alega. Albertoni solicitou a bolsa em 2004. Ele argumenta que joga basquete desde os 13 anos, quando iniciou nas escolas de formação de Marília, depois jogou em Franca e ainda atuou em Bauru nas categorias infato-juvenil e cadete no Tilibra Copimax.