Islamabad - O ditador do Paquistão, Pervez Musharraf, afirmou ontem que convocará eleições gerais até o dia 15 de fevereiro - um mês depois do prazo legal. O anúncio é um alívio para os EUA, que pressionam o aliado a reverter o estado de emergência decretado na quinta e adotar uma transição para um regime mais semelhante ao oficialmente defendido por Washington para todo o mundo -e que inclua preferencialmente a ex-premiê pró-ocidental Benazir Buttho.
Reeleito num pleito indireto cuja legalidade é questionada, Musharraf atirou primeiro: decretou estado de emergência e demitiu os juízes de oposição da Suprema Corte, que julgariam a legalidade do novo mandato.
Ontem, mais de 800 pessoas foram presas, numa tentativa de esvaziar um protesto marcado para hoje na grande Islamambad. Quatro foram acusadas de traição por discursos contra o regime. Elas podem ser condenados à morte.
Um acordo com Benazir, possibilidade costurada por meses por representantes de ambas as partes, está mais distante a cada momento. Após uma hesitação inicial, que lhe custou críticas entre simpatizantes do seu próprio partido, Benazir tomou uma posição pública definida contra o estado de emergência -um “ataque” contra o país e a democracia.
Ele convocou protestos para hoje e promete liderar marcha contra o regime caso a medida não seja revista. Tida como uma possível sucessora do atual regime, Benazir negou ontem que “os canais de diálogo” continuem “abertos”, como afirmou o ministro de Informação, Tariq Khan, e começa a articular um campanha política independente, mais próxima de sua oposição histórica a Musharraf.
Diplomatas ocidentais temem que a declaração de estado de emergência, percebida como uma crise auto-infligida por muitos paquistaneses, seja prejudicial à imagem das Forças Armadas, consideradas uma força de estabilização necessária pelas principais potências.