O Ministério Público (MP) e o 3º Distrito Policial (DP) vão apurar as circunstâncias da morte de Josiane Barbosa Chaves, 32 anos. Ela faleceu anteontem de meningite, após cinco dias internada no Pronto-Socorro Central (PSC). Desde terça-feira, Josiane aguardava uma vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em isolamento. Apenas o Hospital Estadual possui este tipo de leito para atender toda a população de Bauru e região. E são apenas duas vagas disponíveis na unidade, uma para adulto e outra infantil.
O delegado Dinair José da Silva, do 3º DP, informou que já foi aberto inquérito policial para investigar as circunstâncias da morte de Josiane. “Todos estão se isentando da responsabilidade, mas na verdade o único que não é responsável é o cidadão”, afirma o delegado. Para Silva, a sociedade organizada deve lutar para que o número de vagas para UTIs seja aumentado. “É necessário uma somatória de esforços para reivindicar mais verba que permita esse atendimento”, enfatiza.
O promotor do Patrimônio Público e Defesa da Cidadania de Bauru, Fernando Masseli Helene, revelou na tarde de ontem que o Ministério Público já havia tomado providências sobre o caso. “Requisitamos cópias de documentos sobre a transferência da paciente”, informa. De acordo com o promotor, as informações também serão encaminhadas ao DP para corroborar a instauração do inquérito.
Ontem à noite, Rosiane, irmã de Josiane, informou que nenhum representante das unidades de saúde tinha procurado a família. “Ela chegou no sábado no PSC. Tinham que ter descoberto até o dia seguinte. Só foram ver que era meningite na terça-feira”, lamenta. “Para mim, a polícia tem que investigar o caso, sim”, afirma.
Ednaldo José da Silva, casado com Betiane, outra irmã da vítima, informou ao Jornal da Cidade que espera que esse problema não ocorra mais em Bauru. “Uma investigação não vai trazer a Josiane de volta, mas vai impedir que outras pessoas passem por isso”, diz.
Insuficiente
Rosemary Lopes de Moura, do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC), elogia a iniciativa das autoridades. “É uma excelente idéia. O fato tem que ser apurado”, avalia. Lopes destaca que a falta de leitos de UTI em Bauru e região é grande. Em toda área do Departamento Regional de Saúde 6, que engloba 68 municípios e uma população total de 1,4 milhão de pessoas, ela destaca que as duas vagas de UTI em isolamento do Hospital Estadual são as únicas para toda esta população.
Ontem, o Jornal da Cidade entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde para verificar se existe a previsão do aumento do número de vagas em UTI – normais e em isolamento - para o DRS-6, mas não obteve resposta. “A falha é também do Estado, que não disponibiliza mais vagas de UTI para a cidade e região”, observa Lopes.
O vereador João Parreira de Miranda (PSDB) criticou a falta de vagas de UTI. “O que eu questiono é o seguinte: porque ela não foi levada rapidamente a um hospital? O Pronto-Socorro tem recursos para este atendimento? E por que não tinha vaga para a paciente?", questiona.
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Risco
Para Rose Lopes, do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC), a falha no caso de Josiane Chaves começou já na unidade de urgência e emergência, com a demora no diagnóstico. “Ela já estava na UTI do pronto-socorro quando fizeram o exame que constatou a meningite. A paciente ficou muito tempo sem diagnóstico e em contato com outros pacientes e funcionários da unidade”, afirma a dirigente.
Procurados ontem pelo Jornal da Cidade, a família informou que ainda não tinha sido procurados por equipes da Saúde para as medidas de contenção. Rosiane, irmã de Josiane, disse que a vítima teve meningite bacteriana.