08 de julho de 2026
Economia & Negócios

Inadimplência cresce no comércio

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

A quase 30 dias do Natal, a inadimplência no comércio de Bauru avança. Segundo a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), em outubro deste ano a alta foi de 17% em comparação ao mesmo período de 2006. O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) registrou 3.551 inclusões, ante 3.024 contabilizadas no mesmo mês do ano passado.

Na lista de exclusões, a oscilação foi menor. Setenta pessoas a menos regularizaram suas pendências financeiras em outubro deste ano. Na opinião do presidente da CDL, Sérgio Evandro do Amaral Motta, os números refletem a falta de planejamento do consumidor, mas o crédito facilitado também deve ser responsabilizado por esse cenário.

“As pessoas não planejam muito bem seus rendimentos e acabam se atrapalhando depois. Além disso, o próprio comércio está oferecendo muitas facilidades de compra, inclusive sem entrada e com prazos bem longos. Hoje, se compra veículo em até 84 pagamentos. É um convite ao endividamento.”

Mas apesar da alta do número de devedores no comércio de Bauru, Motta não acredita que as vendas de Natal sejam prejudicadas. Na opinião dele, muita gente vai usar o dinheiro do décimo terceiro salário para “limpar o nome na praça” e até mesmo comprar os tradicionais presentes de fim de ano.

Além da ajuda do abono, Motta espera que a demanda de consumidores procurando regularizar seus débitos no comércio cresça entre 15% e 20% a partir das próximas semanas. Tendência que também contribuirá com o aumento das vendas no comércio varejista. “Não podemos dizer que essa procura pela regularização de débitos será um movimento muito grande, mas vai superar, inclusive, o Dia das Mães, como todos os anos acontece”, pontua.

A recomendação para quem está sem crédito é procurar renegociar as dívidas com os credores. Muitos, inclusive, chegam a abrir mão dos juros e reparcelam o saldo devedor em atraso.

Outra alternativa é a linha de financiamento específica para devedores no comércio de Bauru, oferecida pela Caixa Econômica Federal (CEF). O inadimplente pode usar o empréstimo para saldar os débitos, fazendo o procedimento diretamente na sede da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) ou em qualquer agência da CEF. Se o contrato for aprovado, a regularização é automática e o tomador do crédito não precisa nem pegar o dinheiro na mão.

Mas o consumidor precisa ficar atento para não se deixar levar pelo impulso e cair na tentação de se endividar novamente. Nesse caso, além do compromisso das prestações do empréstimo usado para saldar as dívidas atrasadas, também terá de arcar com as parcelas das novas compras. A situação pode se tornar uma bola de neve para a pessoa.

Segundo a professora de administração financeira Márcia Elaine da Silva Almeida, que leciona na Faculdade de Agudos (Faag), é importante que as pessoas gastem neste Natal o que realmente o orçamento comporta, especialmente quem está regularizando o nome nos órgãos de proteção ao crédito.

“Não adianta nada limpar o nome e voltar a se endividar. Por isso, não se deve gastar por impulso, apenas o valor que se enquadra na renda que se ganha”, orienta.

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13º salário

De acordo com a professora Elaine da Silva Almeida, as famílias ou pessoas que não estiverem com o dinheiro do décimo terceiro salário comprometido devem reservar 50% dele para as compras de fim de ano, incluindo presentes e itens da ceia de Natal. A outra metade, ressalta ela, deve ser reservada para as despesas extras do começo do ano, como o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), matrículas e materiais escolares, entre outras.

Outra orientação da professora é evitar compras a prazo, com planos muito longos e pagamento a partir de fevereiro, após o Carnaval. “Nesses casos, o consumidor não percebe, mas chega a pagar duas vezes o produto que comprou. A loja facilita o pagamento, estica o prazo, mas embuti uma taxa de juros muito alta. A pessoa tem que levar em consideração os juros, em primeiro lugar, procurando sempre a menor taxa”, recomenda.