10 de julho de 2026
Geral

Entrevista da semana: A união faz a força dos irmãos Prando

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 8 min

Inseparáveis, os irmãos Carlos Alberto e César Eduardo Prando acreditam que boa parte do sucesso da loja Comprando em Bauru se deve à união e amizade entre os dois. Segundo eles, essa proximidade torna os obstáculos mais fáceis de serem superados.

São-paulinos fanáticos, eles herdaram do pai, João Osvaldo Prando, 74 anos, a paixão pelo clube do Morumbi e pela arte de negociar. Paixão que fez com que eles abrissem mão de suas respectivas carreiras para inaugurar, em novembro de 1989, uma loja que mais tarde se tornaria uma referência regional quando o assunto é produtos importados.

Nesta entrevista concedida ao Jornal da Cidade, eles falam também das outras paixões. César, por exemplo, normalmente recorre à natureza quando precisa de um pouco de descanso. Carlos, por outro lado, gosta mais da vida agitada das casas noturnas. Confira a seguir essas e outras peculiaridades dos irmãos Prando.

Jornal da Cidade – Vocês são formados em que?

César Eduardo Prando – Eu sou engenheiro agrônomo.

Carlos Alberto Prando – Eu sou formado em educação física.

JC – Vocês chegaram a exercer a profissão antes de iniciar o Comprando?

Carlos – Eu comecei trabalhando como estagiário na área de educação física. Depois de formado, eu continuei na profissão por mais uns quatro ou cinco anos. Paralelamente à minha profissão, comecei a trabalhar com bebida, lá em Piracicaba. Era uma representação comercial de vinhos do Sul. Depois passei a trabalhar com vinhos importados. O contato com donos de casas noturnas e restaurantes em Piracicaba e aqui em Bauru me fez tomar gosto pela bebida.

César – Trabalhei um ano e meio como engenheiro agrônomo no Rio Grande do Norte. Trabalhava com melão e exportava para o mundo inteiro. Então, eu resolvi casar, mas como ganhava pouco decidi voltar para Bauru. Se eu fosse “tocar” o sítio do meu pai aqui, eu ganharia mais do que ganhava lá no Nordeste. Quando cheguei no aeroporto, em São Paulo, meu irmão estava me esperando e lá mesmo ele me convidou para trabalhar com bebidas.

Carlos – Eu o convidei para montar, em sociedade, o Comprando na avenida Duque de Caxias. Fazia dois anos que eu estava trabalhando com vendas de bebidas em Piracicaba. Isso paralelamente às aulas que eu dava na Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba e no Colégio Técnico.

JC – Nesses dois anos que você ficou trabalhando com bebidas em Piracicaba foi possível perceber que o negócio tinha futuro?

César – Foi, mas nós começamos devagar. Nossa sociedade começou com umas 15 caixas de bebidas. Eu comprei metade e ele outra metade. Coincidiu que na mesma época a Tilibra estava desmontando a loja que ela tinha na avenida Rodrigues Alves. Aproveitamos e compramos os móveis usados deles. O Comprando foi a primeira loja de conveniências de Bauru. Naquela época, ainda não existia essas lojas nos postos de combustíveis da cidade e os supermercados não abriam à noite. Nós inovamos ao abrir à noite inteira vendendo bebidas geladas para o pessoal que saía para namorar nos carros. Ficamos quase dois anos sozinhos nesse mercado. Depois, os postos de combustíveis começaram a abrir as lojas de conveniências.

JC – Até que ponto a queda do dólar foi importante para vocês?

Carlos – Foi importante porque favoreceu aquela faixa da população que não tinha condições de comprar um uísque importado, que baixou quase 40%. Então, mais pessoas passaram a ter acesso a esse tipo de bebida. Mesmo aquelas que são importadas da Europa tiveram uma queda por causa da cotação do euro.

JC – Além de serem conhecidos na cidade por causa da loja, vocês também têm fama por serem torcedores fanáticos. O Carlos apareceu inclusive na TV, em rede nacional, durante a Copa do Mundo da Alemanha. Como foi isso?

Carlos – Eu ganhei um concurso feito por uma empresa de bebidas e fui para a Alemanha assistir dois jogos do Brasil na Copa: um contra a Austrália e o outro contra o Japão. E eu fiz uma sátira em cima do Ronaldo, o Fenômeno, que estava muito gordo para jogar uma Copa do Mundo. Ele declarava que estava com 95 quilos, mas eu tenho certeza que ele estava com mais de 100 quilos. Depois dos treinos, todos os jogadores tiravam a camiseta, mas ele não, apesar do calor que fazia. Aí eu comecei uma brincadeira antes do jogo contra a Austrália. Peguei um giz e escrevi “gordo” e o número 9 (que Ronaldo usou na Copa). E no jogo contra o Japão eu acrescentei a palavra “sumô” nas costas. Os lutadores de sumô são todos bem gordos. E o pessoal (que trabalhava dentro dos estádios) filmava e a imagem era mostrada no telão. E a brincadeira de imitar o gordo ficou conhecida. E o Brasil ainda ganhou de 4 a 1 do Japão, com dois gols do “gordo”. Aí os caras me filmavam e colocavam no telão. Saiu foto no jornal local, dei entrevista para um jornal do Japão, me colocaram para lutar sumô com uns japoneses na frente do estádio. A brincadeira pegou. Aí aconteceu do repórter Tadeu Schmidt (da TV Globo e irmão do jogador de basquete Oscar) me encontrar na porta do estádio e me entrevistar. Eu apareci no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e nos jornais da Globo News. Depois disso, meu celular não parou de tocar. Um cara que fornece vinho para nós ligou lá do Rio Grande do Sul para falar que tinha assistido a reportagem. Foi gostoso.

JC – E essa paixão pelo futebol fica só na torcida ou vocês também jogam?

César – Eu adoro futebol, mas nunca joguei. Jogo vôlei, biribol, tênis e outros esportes, mas futebol não. Apesar de ser um apaixonado, nunca tentei jogar porque o “corpinho” não ajuda. Fica difícil enxergar a bola. Estou igual ao Ronaldo, o Fenômeno.

Carlos – Eu sempre participo dos campeonatos internos do Bauru Tênis Clube (BTC). Fui cinco vezes artilheiro e estamos indo para mais uma final do campeonato de veteranos.

César – Isso acontece porque ele é o dono da bola (risos).

JC – Fora o futebol, qual é a outra paixão de vocês?

César – Eu gosto muito de natureza. Gosto de caminhar, andar de bicicleta, ir para o meio do mato. Não é à toa que sou agrônomo. Também gosto de pescar. Tenho amigos que moram em Mato Grosso e, pelo menos, uma ou duas vezes por ano vou para lá, visitar o Pantanal. Fico cerca de uma semana. Para quem gosta de natureza, é um paraíso. Aqui na região, eu gosto de ir para Brotas. É um lugar muito legal.

Carlos – Eu já gosto mais de agito. Também gosto de viajar. Agora, comecei a entrar nas turmas de pescaria, que não era muito meu forte, mas estou gostando bastante. Já estou pagando até a pescaria do ano que vem com os amigos. Antes de montar a loja, eu vendia bebidas para casas noturnas. Então, fui conhecendo todas as boates e barzinhos que foram surgindo em Bauru e em Piracicaba. As minhas vendas começavam quando eu ia conhecer os donos das casas noturnas.

JC – E você, César, gosta de sair para “curtir a noite”?

César – Eu sou mais caseiro. Saio só de vez em quando.

JC – Vocês se consideram realizados profissionalmente?

Carlos – Não podemos parar nunca. Sempre tem alguma coisa para ser alcançada. Temos planos para o futuro. Além da venda a varejo, estamos pensando em investir no atacado, numa distribuição mais bem organizada. Nós importamos vinhos há mais de dez anos, sempre pensando em vender na loja. Acreditamos que podemos ter também um caminho de sucesso se importarmos para vender para outras lojas e supermercados da região. Tivemos oportunidades de abrir lojas em outras cidades, como Ribeirão Preto, Campinas, mesmo em São Paulo, mas nós gostamos de Bauru, dos amigos que temos aqui e do meio onde vivemos. Financeiramente, até poderia ser interessante ir para uma cidade com um poder aquisitivo maior. Propostas não faltaram. Ficamos meio tentados, mas nunca pensamos seriamente nisso. Se resolvêssemos abrir um negócio fora daqui, teríamos de mudar de cidade, um ficaria aqui e o outro lá. Então, preferimos até ganhar menos, mas continuar na cidade que a gente gosta. Somos bauruenses de carne e osso.

César – Nós consideramos também que parte da força do Comprando se deve a nossa união e amizade. Os problemas são mais fáceis de serem enfrentados porque um aconselha o outro. Então, a gente fica com receio de se separar. Se um vai para outra cidade e o outro fica aqui, como é que a gente vai se ver e se falar?

JC – Vocês são mesmo inseparáveis, como parece?

César – Somos, mas também brigamos pra caramba. Só que depois de meia hora, estamos numa boa de novo. É briga de italianos.

Carlos – De vez em quando, rola um provolone de mais de 100 quilos na cabeça de um, mas depois fica tudo bem (risos).

JC – E pessoalmente, vocês se consideram realizados?

César – Acho que estamos bem perto do ideal.

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Perfil 1

Nome: Carlos Alberto Prando

Idade: 45 anos

Local de nascimento: Botucatu

Mulher: Alexandra Barbosa Petelinkar

Filhos: Guilherme (6 anos) e Gabriela (1 ano)

Hobby: jogar futebol

Livro de cabeceira: qualquer um de Lair Ribeiro

Filme preferido: “Tropa de Elite”

Estilo musical predileto: não tem

Time do coração: São Paulo

Para quem daria nota 10: meu pai, João Osvaldo Prando

Para quem daria nota 0: para os políticos, salvo algumas exceções

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Perfil 2

Nome: César Eduardo Prando

Idade: 42 anos

Local de nascimento: Bauru

Mulher: Rosangela Carmona Prando

Filhos: Carla (15 anos) e Caroline (13 anos)

Hobby: explorar a natureza

Livro de cabeceira: A Semente da Vitória, de Nuno Cobra

Filme preferido: “Gandhi”

Estilo musical predileto: MPB

Time do coração: São Paulo

Para quem daria nota 10: meu pai, João Osvaldo Prandi

Para quem daria nota 0: Fernando Souza Silva, acusado de cometer abuso sexual e de tentar matar uma menina de 3 anos em Botucatu