08 de julho de 2026
Geral

Punks: eles ainda são os mesmos

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Mais de 30 anos se passaram desde o dia em que eles “puseram seus pés” no mundo pela primeira vez - e, ainda assim, os punks continuam os mesmos, ou quase. Penteados estranhos, jaquetas de couro rasgadas contendo ataques à ordem estabelecida, coturnos, isso ficou no passado. “Essas coisas se encontram incorporadas pelo mercado. Hoje, qualquer pessoa pode sair por aí exibindo um moicano, que já não causa mais espanto”, diz o bauruense Willians Francisco Teodoro, 37 anos, que flerta com o movimento desde o começo dos anos 80.

Embora o visual já não sirva mais para identificá-los, ele e seus companheiros continuam fiéis ao lema “do it yourself” (“faça você mesmo”), princípio básico do movimento. “Na verdade, o punk é uma contracultura. As pessoas é que o resumem ao lado estético”, o auxiliar administrativo Lázaro Miguel Júnior, 22 anos.

O “faça você mesmo” que inspira o movimento torna a tribo bastante heterogênea. “Cada um tem sua maneira própria de viver o punk”, explica Lázaro, mais conhecido como Juninho, que também é músico. Ir a shows de grupos alternativos de Bauru e região, votar nulo, ser contra os padrões da sociedade e toda e qualquer forma de governo são algumas das posturas que o vocalista da banda de hardcore Artigo DZ9 adotou em sua vida.

Vista como violenta por alguns, a tribo, na visão de seus integrantes, apenas reflete as contradições da sociedade nos dias atuais. “O punk é um movimento composto por jovens, e o que é o jovem hoje? É um ser arrogante, competitivo e agressivo”, acredita o professor de história Renato Luiz Laures Júnior.

Ele tem 33 anos e admite já não fazer mais parte da tribo. “Apenas me identifico com o movimento. Foi com o punk que aprendi muitas das idéias que hoje me ajudam a pensar”, pondera. Atualmente, Laures Júnior diz ser anarquista.

O som agressivo que marca a música punk não é o único capaz de fazer a cabeça dos integrantes do movimento. Novato na tribo, o bauruense Maisson “Sick” Ribeiro, 18 anos, se identifica com o punk há pelo menos cinco anos.

Fã de bandas nacionais independentes como Olho Seco e Cólera, ele também costuma ouvir grupos de rap de periferia, como Racionais MC’s. “Na verdade, a gente escuta de tudo - até jazz e MPB”, explica o bauruense Willians Francisco Teodoro, 37 anos, que se identifica com o movimento punk há mais de 20 anos.