Islamabad - A polícia paquistanesa impediu ontem a líder oposicionista Benazir Bhutto de fazer uma visita ao presidente deposto da Suprema Corte, Iftikhar Chaudhry, em prisão domiciliar.
O ditador do país, Pervez Musharraf, que há uma semana decretou estado de emergência, vem resistindo à pressão dos EUA para restaurar a normalidade institucional.
Ontem, o governo deu três dias para que três repórteres do jornal britânico “Daily Telegraph” deixem o país. Até então, restrições à imprensa haviam atingido a TV, mas não jornais locais ou estrangeiros.
Benazir, que esteve ela própria em prisão domiciliar durante parte do dia de anteontem, tentou aproximar-se da casa de Chaudhry, mas a polícia a impediu, erguendo um bloqueio em seu caminho.
Musharraf citou um Judiciário hostil e a crescente atividade de militantes islâmicos para justificar o estado de emergência e a suspensão das garantias constitucionais.
Ele também demitiu a maior parte dos juízes da Suprema Corte e os substituiu por magistrados dóceis a seu governo. “Ele é o chefe do Judiciário, o verdadeiro chefe do Judiciário”, disse Benazir num megafone, pedindo a reincorporarão dos magistrados demitidos.
Benazir pretende desafiar Musharraf e comandar um protesto convocado por sua agremiação, o Partido do Povo do Paquistão, para esta semana. Ontem, a polícia usou cassetetes e gás lacrimogêneo para reprimir pequenos protestos em todo o país.
As manifestações não têm sido grandes para os padrões paquistaneses. Benazir, que costuma mobilizar grandes massas, deve viajar hoje para a cidade de Lahore, palco do protesto planejado.
Ela afirmou, porém, que pode cancelar a manifestação se Musharraf restaurar as garantias constitucionais, abandonar o comando do Exército e convocar eleições para janeiro. O general diz que as eleições ocorrerão em meados de fevereiro. Ele também afirma que deixará o comando do Exército e assumirá as funções de presidente civil assim que os novos juízes da Suprema Corte extinguirem as ações que contestam sua reeleição para o cargo.
Membros do governo afirmam que o estado de emergência não será longo. “A emergência acabará em um mês ou dois, tudo depende da situação”, disse o procurador-geral, Malik Abdul Qayyum. Benazir vinha havia meses mantendo negociações com Musharraf com vistas à divisão do poder.
Analistas dizem que um entendimento, o qual vinha sendo incentivado pelos EUA, ainda é possível. Os EUA pressionam Musharraf, que tomou o poder num golpe em 99 e é visto como um aliado importante na luta contra o terrorismo, a restaurar as garantias constitucionais.