O Brasil foi manchete mundial ao anunciar o descobrimento do megacampo petrolífero “Tupi”, que elevará em 50% as reservas nacionais do precioso óleo. O presidente Lula chegou a ser classificado, no Chile, como “magnata do petróleo”, pelo seu dileto ‘muy amigo’ Hugo Chávez, que fez a proposta (indecente) de criar uma estatal petrolífera venezuelano-brasileira para fornecer combustível a preços módicos às nações pobres. Como tracidional produtor sul-americano, por que o próprio Chávez já não fez essa caridade?
Monteiro Lobato foi preso, nos anos 40, por dizer que o Brasil possui imensas reservas. Aquilo que pregava como redenção dos brasileiros acabou se tornando instrumento de opressão econômica ao povo.
Durante muito tempo, o Brasil perseguiu a auto-suficiência de petróleo. Passava à população a idéia de que, quando a conseguisse, deixaria de gastar os sacrificados milhões de dólares com a importação, e o povo se beneficiaria. No ano passado, o presidente anunciou que o Brasil não dependia mais do petróleo importado. Só que nada aconteceu: continuamos pagando uma das gasolinas mais caras do planeta.
A nacionalista frase “O Petróleo é nosso”, não passa hoje de mais uma mentira aplicada ao povo. O “nosso”, atualmente, significa “da Petrobras”, uma estatal draconiana, que tira o dinheiro do povo, engorda as mordomias de seus altos funcionários e ainda se dá ao luxo de aplicar seu patrimônio em aventuras internacionais que nada rendem à população.
Depois do que o “compañero” Evo Morales fez contra o Brasil, desrespeitando contratos e esbulhando a propriedade da mesma Petrobras, o governo brasileiro anuncia novos investimentos da estatal na Bolívia. E pasmem... não é para melhorar o fornecimento do gás boliviano ao Brasil, mas para os bolivianos poderem honrar seus compromissos de fornecimento à Argentina. Por que, então, não vão buscar os investimentos em Buenos Aires? Salvo melhor juízo, isso é crime de lesa-pátria!
A Petrobras foi criada para cuidar do “nosso” petróleo. Quando ela age como uma das “sete irmãs” do ramo petrolífero, usando as vantagens de ser estatal e nos explorando todas as vezes que enchemos o tanque, deixa de cumprir sua finalidade. Se é para fazer assim, melhor seria que o petróleo aqui consumido não fosse “nosso” e continuássemos comprando gasolina, diesel, querosene e demais derivados diretamente dos “gringos”. Pelo menos pagaríamos menos e nossas reservas continuariam preservadas para, talvez, melhor aproveitamento, no futuro...
O autor, Dirceu Cardoso Gonçalves, é dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo - e-mail: aspomilpm@terra.com.br