09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Poupar salva autônomos sem 13º

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Fim de ano é tempo de receber o décimo terceiro salário e, com ele, sair às compras de Natal ou regularizar pendências financeiras. É o dinheiro que tira a corda do pescoço de muita gente. No entanto, muitos profissionais que trabalham como autônomos - e informais na maioria das vezes - não podem contar com esse rendimento extra em dezembro.

Por falta de planejamento ou mesmo dificuldade de manter o faturamento em alta de janeiro a dezembro, esses trabalhadores terminam e começam o ano sem poder avançar nas compras e com o orçamento apertado. Segundo consultores financeiros, essa deficiência de dinheiro no final do ano pode ser superada por muita gente. Nesse caso, vale a velha dica de poupar sempre, evitando gastos supérfluos durante o ano. Para isso, planejar as despesas é fundamental.

O economista Carlos Roberto Sette ressalta que os profissionais autônomos devem se programar, pensando sempre no abono de dezembro na hora de estabelecer o preço do serviço. “Deve-se cobrar um pouquinho a mais pensando na sobra para o abono. O 13.º representa 8,33% do salário ao mês. Seria interessante, então, que fosse separado esse percentual todo mês para se chegar ao final do ano com o salário adicional garantido”, explica.

Para o também economista Fernando Pinho, a reserva financeira durante o ano, visando o décimo terceiro, é fundamental. Mas para alcançar esse objetivo ele recomenda muita disciplina, o que significa controlar o impulso consumista.

“É uma tarefa que impõe uma responsabilidade muito grande ao trabalhador. O final do ano é uma época em que o fluxo de negócios diminui e as despesas aumentam para muita gente (que trabalha como autônomo). Então, para que a pessoa não seja pega de surpresa, a dica é poupar antes”, orienta Pinho.

Na opinião do economista, ainda são poucas as pessoas que seguem os conselhos para uma vida financeira “saudável”. A maioria, destaca ele, ainda opta pelo consumo desenfreado e imediatista, vilão do endividamento da maior parte dos inadimplentes. “Infelizmente, ainda estamos engatinhando naquilo que chamamos de educação financeira”, completa.

Pinho lembra que as pessoas autônomas precisam levar em consideração as despesas extras do começo do ano, como o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), além das mensalidades e materiais escolares.

Poupança

A caderneta de poupança ainda é a alternativa mais viável para quem pretende poupar valores pequenos, segundo o economista Carlos Sette.

“É mais recomendável, principalmente por conta das vantagens fiscais, como a não cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). São algumas vantagens que valem a pena, apesar do rendimento na poupança ser menor que em outros fundos de investimento”, destaca.

O mototaxista Flávio Henrique da Silva Pontes, 24 anos, tem uma caderneta de poupança com o objetivo de usar o dinheiro no futuro para algum projeto pessoal. Apesar disso, a reserva serve de socorro no final do ano para financiar os presentes de Natal. “Como não tenho 13.º, tem Natal que preciso recorrer a esse dinheiro. Quando posso, para não mexer na poupança, uso mais o cartão de crédito. Não gastar no final do ano é inevitável, principalmente quando se tem filho pequeno”, comenta Pontes.