11 de julho de 2026
Regional

Trabalhadores do Grupo Atalla iniciam greve por falta de pagamento

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - Motivados pelo atraso no pagamento de salários relativos a outubro, cerca de 200 trabalhadores rurais das empresas agrícolas e fazendas do Grupo Atalla de Jaú (47 quilômetros de Bauru) iniciaram ontem uma paralisação de suas atividades, segundo a Federação dos Empregados Rurais Assalariados no Estado de São Paulo (Feraesp).

De acordo com Eduardo Porfírio, diretor da Feraesp, não há previsão para a volta ao trabalho até que a empresa regularize os pagamentos.

“Há preocupação de que o mesmo vá ocorrer com os salários até o final do ano e com o abono (13.º salário) e, o pior, é saber que a Justiça do Trabalho, acha isso tudo normal e dentro da lei”, alega Porfírio.

O JC procurou João Luiz Bedolo, diretor da Central Paulista de Açúcar e Álcool, conhecida como Usina Lambari, pertencente ao Grupo Atalla. No entanto, o representante da empresa não foi localizado para comentar a greve. A informação na empresa é que ontem o expediente encerrou mais cedo. Em sua casa, a informação é que ele estaria dando aula em uma faculdade e voltaria muito tarde.

“Não é a primeira vez que a empresa faz esse tipo de safadeza com os assalariados rurais e talvez não seja a última, visto que é costumeira desse tipo de sujeira e, infelizmente, nem a Justiça a condena de forma exemplar”, disse Élio Neves, presidente da Feraesp.

As greves dos trabalhadores rurais do Grupo Atalla são recorrentes. Para tentar obrigar a empresa a cumprir a lei, o Ministério Público do Trabalho (MPT) em Bauru, por intermédio do procurador Luiz Henrique Rafael entrou, no ano passado, com ação civil pública na 1.ª Vara da Justiça do Trabalho em Jaú. Porém, a ação foi julgada improcedente, em fevereiro deste ano. . Projeta-se que apenas 10% do total de empregados apelem para a Justiça para garantir seus direitos por medo de perder o emprego.

“Infelizmente e apesar de toda a documentação e argumentação do sofrimento dos trabalhadores com os constantes e freqüentes atrasos de pagamentos, de 13.º, verbas rescisórias, e os depoimentos de trabalhadores que vinham de dois, três anos, com esse problema, ainda assim, a Justiça do Trabalho entendeu insuficiente para condenar a empresa”, explica Luiz Henrique Rafael.

Ele acrescenta que o tipo de sentença é mais um meio de a empresa continuar com o procedimento. Segundo a Feraesp, o Grupo Atalla é fornecedor de cana-de-açúcar para o Grupo Cosan.