Brasília - A Polícia Federal prendeu, em operação batizada de Carranca, 20 pessoas suspeitas de envolvimento em esquema de fraudes em licitações de convênios envolvendo seis ministérios e 55 prefeituras de Alagoas. Entre os empreiteiros acusados de praticar diversas modalidades de fraude a licitações está Ronaldo Farias de Lacerda, dono da Lacerda Engenharia Ltda.
A empresa tem contratos com a Prefeitura de Murici, administrada por Renan Calheiros Filho (PMDB), filho do senador Renan Calheiros. O valor estimado do suposto superfaturamento em obras em 12 cidades soma R$ 20 milhões, diz a PF.
A polícia chegou aos indícios após uma auditoria da CGU nos municípios. Segundo a reportagem apurou, a PF e o Ministério Público Federal suspeitam do envolvimento de políticos no esquema, o que deve ser apurado em um segundo momento do caso. As investigações constataram fraudes em processos licitatórios, na construção com material de qualidade inferior ao especificado e em obras fantasmas ou executadas em extensão inferior ao contratado. As empresas disputavam licitações de obras com dinheiro da União para órgãos federais e municipais e simulavam competição em várias modalidades. Há casos de empresas que disputavam o mesmo serviço e que tinham o mesmo sócio.
As investigações correm sob segredo de Justiça. Segundo a reportagem apurou, entre os detidos estão um assessor parlamentar, preso em Brasília, e o coordenador do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) em Alagoas, Cristiano Ezequiel de Mendonça, além de secretários municipais, um ex-prefeito e um vereador do Estado. Os nomes não foram divulgados.
Estão sob análise convênios entre prefeituras e os ministérios da Saúde, Educação, Integração Nacional, Cidades, Desenvolvimento Agrário e Turismo. As investigações demonstraram que os fraudadores procuravam dissimular a origem do dinheiro obtido ilicitamente por meio da aquisição de imóveis de luxo, fazendas, gado. Segundo a PF, o esquema funcionava desde 2005. A Justiça emitiu 51 mandados de apreensão em Maceió e outras de Alagoas, além do DF. Também determinou o seqüestro de 31 imóveis, 35 veículos e o bloqueio de contas bancárias de 18 pessoas.