A chuva dos últimos dias foi suficiente para aumentar o nível de água no poço existente no bosque do Parque União. A profundidade de apenas 20 centímetros subiu para cerca de 1 metro. Essa diferença é motivo de preocupação para moradores do bairro.
No final de setembro, depois que quatro pessoas morreram afogadas no poço - sendo a última uma criança de 11 anos -, funcionários da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) jogaram pedra para deixar o local raso. Foram necessários seis caminhões com o material. Antes, o poço tinha 4,5 metros de profundidade.
O titular da Semma, Rodrigo Agostinho, e o assessor do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Antonio Carlos Yamashita, afirmam que a profundidade do poço não oferece risco à população. Mas o alambrado de arame ao redor do bosque foi aberto em alguns trechos, o que permite facilmente a entrada de crianças.
Além do nível de água, os moradores reclamam do mau cheiro o poço, que tem recebido dejetos do esgoto. Ontem, a coloração acinzentada era bem diferente da semana passada, que estava praticamente transparente, segundo os moradores.
A adolescente Mayara Serra Costa Pinto, 14 anos, fica preocupada com o irmão de 4 anos que insiste em brincar no bosque. “Minha mãe fica de olho para eles não entrarem no bosque porque tem medo da enorme erosão e do poço”, afirma. O garoto admite que às vezes vai ao local, mas com menos freqüência do que antes. “Gosto de brincar lá (bosque), mas é perigoso”, diz.
O vizinho Felix da Silva, 49 anos, não tem filhos pequenos, mas também fica preocupado com as crianças. “É só o tempo ficar quente que fica cheio de crianças no poço”, diz. Na opinião do morador, o ideal era colocar uma ponte para interligar os lados e evitar que as pessoas passem perto do poço.
Mas os moradores têm motivos a mais para lamentar a situação do bosque, além da impureza da água. O lixo espalhado pela mata contrasta com o verde. Papéis, entulho, garrafas pet e até móveis são jogados no local.
A integrante da organização não-governamental (ONG) Naturae Vitae e moradora do bairro, Jalile Aziz diz que até mesmo animais vivos e mortos são deixados na mata. “As pessoas abandonam filhotes de animais no bosque e jogam bichos mortos lá dentro. O cheiro é insuportável”, conta. Ela mora de frente para a área verde e já viu um senhor ateando fogo em lixo no local. “Chamei a polícia e o senhor foi levado para a delegacia. Mas depois disso, já o flagrei tendo a mesma atitude novamente. As pessoas não aprendem”, diz.
Recuperação
Antes de aterrar o poço, a prefeitura fez um mutirão de limpeza do bosque. Segundo Agostinho, foram retirados oito caminhões com entulho e sujeira.
Aziz não concorda com a iniciativa da prefeitura de aterrar o poço. Ela acha que o local deveria ser transformado em um parque. “O bosque poderia ser um atrativo para as pessoas, se tornar um lugar de lazer e caminhada”, sugere.
O secretário afirma que há um projeto de recuperação do bosque, mas que o custo é inviável neste momento, cerca de R$ 400 mil. O projeto prevê uma pista de caminhada e contenção da erosão, entre outras coisas. “Como o bairro é periférico, não existe interesse da iniciativa privada em apoiar a obra. Por enquanto, faremos a manutenção da limpeza do bosque”, afirma. Está programada a poda de árvores e corte da grama no prazo de dez dias.
Em março deste ano, a Semma investiu na recuperação da área do bosque do Parque União com o plantio de 200 mudas de árvores nativas de grande porte no local. De acordo com Agostinho, as mudas plantadas vingaram.
Uma obra antiga, da década de 90, de interligação de galerias que deságuam no bosque prejudicou a qualidade da água. Além disso, o vandalismo também tem causado estragos. “As pessoas abrem as tampas do PV (tampa de ferro fundido nas ruas) e jogam pedras. Elas vão parar nos bueiros, entupindo-os. No final, o esgoto vem parar no poço”, explica o assessor de gabinete do DAE, Antonio Carlos Yamashita. Morador do bairro, ele sempre olha a qualidade da água. “Já avisei os funcionários (do DAE) e eles já estão resolvendo o problema. Em alguns minutos, a água já deve voltar à sua transparência”, diz.
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Quinta da Bela Olinda
Com a chegada da temporada de altas temperaturas, que costumam atrair banhistas e provocar acidentes com afogamentos, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) está intensificando as ações preventivas na lagoa da Quinta da Bela Olinda. A primeira delas foi a instalação, ontem, de uma nova placa de alerta informando que é proibido nadar na lagoa.
No local já existem duas outras placas, de tamanho menor, doadas pelo Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Leste.
Uma segunda ação, prevista ainda para este ano, segundo o secretário Rodrigo Agostinho, será a realização de um diagnóstico de profundidade da lagoa para levantar os pontos com maior risco de acidente.
A Semma também pretende solicitar ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) a realização de novas análises para verificar a qualidade da água do local. A intenção é chamar a atenção para os perigos e respeito à sinalização de advertência.