08 de julho de 2026
Nacional

Choque ocupa presídio do Recife

Folhapress
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Recife - Policiais invadiram ontem, pela quarta vez, o presídio Aníbal Bruno, em Recife, para tentar conter uma rebelião iniciada no domingo, que provocou a morte de ao menos três presos e ferimentos em outros 43. Uma força-tarefa - formada por 445 policiais civis, militares e agentes penitenciários - deve reforçar a equipe que invadiu o presídio na noite de anteontem. Os policiais já haviam estado no local na manhã de segunda-feira e no último domingo.

A decisão de entrar em alas dominadas por cerca de 2 mil detentos rebelados ocorreu após uma reunião que envolveu a cúpula dos setores ligados à segurança no Estado de Pernambuco, entre eles as pastas Executiva de Ressocialização, Superintendência de Segurança Penitenciária do Estado (Susipe) e Polícia Militar.

A força-tarefa encurralou 2.500 detentos soltos no pátio interno e iniciou uma revista nas celas e pavilhões. Quase100 rebelados identificados como violentos ou líderes serão transferidos para outras unidades penais de PE.

Segundo o superintendente de Segurança Penitenciária de Pernambuco, coronel Isaac Viana, os presos que permanecerem no Aníbal Bruno serão divididos em três grupos e acomodados precariamente nas celas que estiverem em melhores condições. Dos 17 pavilhões do presídio, seis foram depredados e dois, destruídos. Um novo pavilhão deve abrigar ainda 400 pessoas.

Até o fechamento desta edição, a situação no presídio era de aparente controle. “A unidade está totalmente dominada pelo Estado”, disse Viana. Desde o início da rebelião, o governo chegou a anunciar duas vezes o fim do motim. Nesse período, houve registro de três conflitos entre detentos.

No primeiro, domingo, um preso morreu. Novo tumulto ocorreu na manhã de anteontem. Na madrugada de ontem, mais dois homens foram mortos - um deles, decapitado e carbonizado.

Os rebelados reivindicam, entre outras, a substituição de dois “chaveiros” - presos que, com autorização do governo, têm chaves dos pavilhões - e o fim do cadastramento dos visitantes no presídio. Das seis reivindicações, apenas a troca dos “chaveiros” foi autorizada. “O ‘chaveiro’ é uma coisa nefasta, uma concessão produzida ao longo de anos que se consolidou aqui”, disse Viana. “Esse costume tem que ser tirado aos poucos, não vejo solução a curto prazo.”

Devido ao clima de insegurança, as visitas na unidade foram suspensas hoje. Antes da rebelião, o Aníbal Bruno tinha capacidade para 1.448 presos, mas abrigava 3.900 pessoas.