São Paulo - O torcedor que anda descontente com o rendimento da Seleção Brasileira e sonha com alterações no time na esperança de que o futebol melhore pode desistir. O técnico Dunga não vai mexer na equipe. Pelo menos não por questões táticas ou técnicas.
A exceção, claro, fica por conta das “obrigatoriedades”, como contusão ou suspensão de algum atleta. É por estar suspenso (dois cartões amarelos), por exemplo, que o zagueiro Lúcio não joga contra o Uruguai, amanhã, no Morumbi. Alex deve ser o substituto, apesar de o treinador não afirmar claramente.
Dunga está convicto de que mudar não é o caminho mais indicado para fazer a Seleção jogar um futebol melhor. “Não é porque o jogador tem rendimento ruim numa partida que eu vou tirar. Senão tira a confiança do jogador”, justificou o treinador, ontem, em entrevista coletiva em São Paulo, antes de começar a preparação para o jogo com o Uruguai.
O treinador até acena com uma mudança de posição. Num prazo bem longo, porém. “É lógico que, se o jogador não vai bem em cinco, seis partidas, aí é hora de trocar”, revelou Dunga.
Por enquanto, a Seleção vai continuar com está. O que Dunga quer em relação à pálida atuação no empate por 1 a 1 com o Peru, anteontem, em Lima, é que os jogadores se movimentem mais, procurem explorar as “beiradas” do campo e sejam mais efetivos na conclusão das jogadas. Uma maior participação no apoio dos laterais Maicon e Gilberto também ajudaria. “Na quarta-feira (amanhã) vamos buscar um equilíbrio maior, com um melhor aproveitamento das oportunidades”, avisou.
O fato de o Brasil estar em terceiro lugar nas Eliminatórias para a Copa de 2010, com cinco pontos em três partidas (uma vitória em casa e dois empates fora), não incomoda Dunga. “É normal, Eliminatórias são sempre difíceis, o importante é a classificação”, disse o treinador.
“No momento, o que procuramos é classificar. Se passar, a gente pensa em algo mais na frente. Em 2002, chegamos em terceiro e fomos campeões”, explicou Dunga, em alusão à campanha do penta. A comparação com o time que se classificou para o Mundial do Japão e da Coréia do Sul é reveladora. A equipe esteve ameaçada de ficar fora até a última rodada, quando se classificou diante da Venezuela. Seu rendimento final - 55,5% dos pontos - é o pior da história da Seleção no torneio.
Para justificar sua posição, Dunga afirmou que “todas as Eliminatórias são complicadas”. E, para exemplificar, repetiu reclamações feitas por treinadores anteriores da Seleção envolvidos na disputa do qualificatório. Entre as razões, está o fortalecimento dos adversários porque, segundo o técnico, eles acumularam mais jogadores que atuam no Exterior. Além disso, citou a falta de tempo para treinar.
Mas, como após a partida contra o Uruguai a Seleção só voltará a jogar pelas Eliminatórias em meados do próximo ano (14 ou 15 de junho, contra o Paraguai), um tropeço no Morumbi pode criar uma pressão desnecessária sobre a comissão técnica comandada por Dunga.
O problema é que o jogo contra a irregular Seleção Uruguaia não vai ser fácil, prevê o treinador. “O próximo adversário é sempre mais difícil que o anterior. Até porque, hoje em dia, não é só o jogador brasileiro que vai novo para o Exterior. Os de outros países também vão cedo”, afirmou Dunga. “Assim, adquirem rapidamente experiência e disciplina tática. Temos de achar uma forma de superá-los.”
Para Dunga, também não é justo que a responsabilidade de decidir as partidas recaia sempre nas costas de Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Robinho, as estrelas da Seleção. “Todos os jogadores têm, quando estamos com a bola, liberdade para atacar. Não são só os três (que têm de decidir). Vamos resolver nossos problemas juntos”, explicou o técnico.
Público
Kaká, como sempre acontece, foi um dos jogadores mais assediados pelos fãs no hotel em que a Seleção está hospedada em São Paulo. O movimento de torcedores, aliás, foi significativamente pequeno ontem. Até o meio da tarde, apenas seis adolescentes estavam no local em busca de autógrafos e fotos. Mas poucos jogadores deixaram seus quartos - apenas o lateral Daniel Alves e o atacante Luís Fabiano foram até o saguão.
Na volta dos jogadores ao hotel, depois do treinamento realizado no final da tarde de ontem, um número maior de torcedores os esperavam no local. Então, Kaká e Ronaldinho Gaúcho foram os mais procurados pelos fãs.