Os acidentes fatais ocorridos no final de semana e ontem na rodovia Bauru-Iacanga (SP 321) motivaram boa parte dos discursos na sessão da Câmara Municipal de Bauru de ontem, com a retomada da cobrança ao governo do Estado para a duplicação da pista, sobretudo no trecho de Bauru até o acesso ao aeroporto Moussa Tobias.
Pelo menos três vereadores pediram a duplicação da rodovia. Outros lamentaram as condições da pista simples. Primo Alexandre Mangialardo (PV), João Parreira de Miranda e Marcelo Borges de Paula (PSDB), ambos do PSDB, citaram o acidente ocorrido no último sábado na rodovia - que vitimou a fisioterapeuta Taís Pinheiro Chagas, 26 anos, e Solange Alvarenga Lima, 41 anos - para pedir a duplicação do trecho. Ontem, o motociclista Carlos Augusto de Souza, de 19 anos, também faleceu em acidente no local.
Parreira disse no plenário que já encaminhou ao governo do Estado mais de 10 pedidos para a duplicação da estrada. O vereador disse que o local já começa a ser chamado pelo moradores das duas cidades como “rodovia da morte” já que a cada dois ou três meses um acidente grave, com vítima fatal, acontece no local. “É melhor pagar um pedágio e ter uma rodovia segura e confortável do que ficar morrendo gente nesse lugar”, disse Parreira, que se mostrou favorável até à instalação de uma praça de pedágio na rodovia desde que ela seja duplicada.
Às margens da SP 321 estão bairros populosos como a Vila São Paulo e a Quinta da Bela Olinda, além disso em todo o trecho existem várias chácaras que são utilizada por famílias e grupo de amigos para o lazer nos finais de semana.
O vereador Primo disse que desde a inauguração do aeroporto, há pouco mais de um ano, há por parte do governo do Estado uma manifestação sobre a necessidade da duplicação da rodovia, inclusive, segundo o vereador, já existe o projeto para a desapropriação das áreas necessárias. O Estado tem o projeto e o custo, mas não incluiu verba no Orçamento de 2008 para esta finalidade. “Foi uma irresponsabilidade o Estado inaugurar o aeroporto com a rodovia sem ser duplicada”, ressalta.
Mangialardo criticou que a estrada tem se transformado em uma rota de fuga dos pedágios, principalmente pelos motoristas que vem de São José do Rio Preto ou de Ribeirão Preto. Ele disse que já chegou a oficiar o governo federal através do Ministério dos Transportes pedindo a utilização de recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para a realização da obra. “A resposta recebida foi negativa e segundo o Ministério a manutenção da rodovia é de competência do Estado e pelo o que eu levantei não tem nada definido sobre o assunto no Estado”, disse o vereador.
O parlamentar defendeu a duplicação devido à rodovia ser o único acesso ao aeroporto e a cidades como Arealva, Iacanga e até Ibitinga. “Essa estrada é fundamental como a Bauru-Marília ou a Bauru-Ipaussu e a cidade perde muito em não ter a duplicação da estrada por conta do comércio, muitas pessoas deixam de vir a Bauru para gastar por causa do perigo”, justificou.
Primo disse que é a favor da privatização da rodovia desde que ela seja entregue à concessionária vencedora da licitação como se encontra, sem as melhorias. O vereador disse que não aceita que o governo faça a duplicação e depois entregue nas mãos de alguma empresa para exploração do trecho inclusive com a instalação de pedágios. “Depois de duplicada nunca se pega o preço que realmente a rodovia vale”, disse o vereador.
Marcelo Borges também se mostrou a favor da duplicação da rodovia no plenário, mas cobrou mais atenção dos usuários do local, já que a rodovia é muito utilizada por famílias inteiras que freqüentam várias chácaras de lazer nos finais de semana. Outros parlamentares também lamentaram o acidente e cobraram a duplicação da rodovia.