O JC (13/11, página 4) publicou reportagem com o título em destaque “Câmara aprova nova grade da educação”. O projeto de lei de iniciativa do poder municipal de Bauru reclassifica cargos e muda referências salariais dos professores da rede do ensino público municipal de Bauru.
Destaco dois aspectos que chamaram minha atenção: um positivo o outro negativo.
A alteração impedindo tornar aberto o concurso de ingresso para o cargo de diretores de escola, permanecendo o critério atual de acesso para os professores da rede do ensino municipal, foi muito positivo. Negativo e decepcionante foi a exclusão dos professores aposentados. Este fato me faz invocar o livro “Brasil terra de contraste”, de Roger Bastide (1964). Lutam em preservar o prostíbulo da Eny, em Bauru, e marginalizam educadores aposentados, quando deveriam ser reverenciados.
O ex-secretário de Estado da Educação, no governo de Geraldo Alckmin, filósofo Gabriel Chalita, defendia a “pedagogia do afeto”. Afirmava que sem afeto não há educação. No entanto, de modo contrastante, adotava uma política salarial discriminatória, injusta, desumana e deseducativa. Concedia bônus, gratificações, sem incindir na aposentadoria para os professores da ativa e excluía os professores aposentados. Além do aspecto humanitário ignorado, desconsiderava a carreira do magistério, definida na Constituição Federal. (art. 206, V).
Agora, assisto à exclusão dos meus colegas, professores aposentados da rede do ensino municipal de Bauru, banidos da reclassificação de cargos e mudanças de referência salarial. Isto acontecendo na gestão de um prefeito professor. E professor não de ciências exatas. A mesma situação continua no governo do Estado, José Serra.
Por que esse preconceito etário contra a velhice? Que velhice? O castigo de ser aposentado, quando outrora se cultuava o aposentado pelo prêmio conquistado da missão cumprida.
Finalizo lembrando o poeta grego, Teógnis, que, cantando sobre a brevidade da vida, dizia: “Choramos a juventude e a velhice também, pois a primeira foge e a segunda sempre vem”.
Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do magistério do Estado de SP