Riad - Com juras de parceria eterna e previsões sobre a queda do império americano, cujo prelúdio seria o enfraquecimento do dólar, os presidentes do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e da Venezuela, Hugo Chávez, fizeram ontem em Teerã mais uma demonstração da aliança entre os seus países e assinaram mais quatro acordos de cooperação bilateral, entre eles o da criação de um banco e um fundo de investimentos comuns.
“Dentro de pouco tempo não se vai mais falar em dólar. O dólar está caindo e com ele cairá, graças a Deus, o imperialismo dos EUA”, afirmou Chávez. “Ficaremos um ao lado do outro até o final, em defesa dos direitos de nossas nações e de nossos ideais”, disse Ahmadinejad, segundo a agência oficial iraniana Irna.
O encontro dos aliados anti-EUA em Teerã acontece um dia depois da cúpula da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em Riad, na Árabia Saudita, na qual Irã e Venezuela defenderam menção ao enfraquecimento do dólar na declaração final e pregaram que o cartel deixe de usar a moeda como referência.
O argumento dos dois é que a queda do dólar contribui para a alta do petróleo -que ronda US$ 100 o barril-, mas os produtores não recebem o valor justo por causa da desvalorização da moeda dos EUA, que vem se acentuando desde o estouro da bolha imobiliária americana, em julho.
“Eles recebem nosso petróleo e nos dão um papel que não vale nada”, disse Ahmadinejad em Riad. A menção não entrou na declaração da Opep, mas Ahmadinejad e Chávez obtiveram uma vitória: o tema tornou-se o principal da reunião quando vazaram discussões fechadas sobre a desvalorização.
Diante da proposta de Irã e da Venezuela, o chanceler da Árabia Saudita, Saud al Faisal, argumentou que a simples menção à queda do dólar faria a moeda despencar -declarações captadas pela imprensa. Ao final da cúpula, a Opep criou um grupo de estudo sobre a questão, formado pelos ministros da Economia do cartel, que deve se reunir em breve.
Segundo análise do jornal “Financial Times”, a proposta de deixar de cotizar o petróleo em dólar é pouco factível, mas o debate do tema, diz o jornal, é sinal de dois movimentos.