Duplicar a rodovia SP 321, que liga Bauru a Iacanga, e construir pistas marginais para direcionar o fluxo dos veículos do tráfego urbano. Esta é a solução para aumentar a segurança da via. Ontem, representantes de moradores dos bairros que ficam próximos à rodovia se reuniram na sede do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) pedindo providências. Na segunda-feira, eles protestaram pelas mortes ocorridas no local no último final de semana, queimando pneus na via. Como a duplicação ainda está longe de ser definida, a saída discutida foi a instalação de uma lombada na rodovia, além do aumento da sinalização e intensificação de fiscalização por radar.
A reunião foi realizada ontem à tarde e contou com a presença de amigos de Carlos Augusto de Souza Filho, 19 anos, que morreu na madrugada de segunda-feira, familiares de Adriel Nascimento Soares, 24 anos, e seu irmão Rafael, 20 anos, que morreram em julho na rodovia, além do comando do Policiamento Rodoviário e representantes dos moradores dos bairros que ficam às margens da Bauru-Iacanga.
Uma representante do vereador João Parreira de Miranda (PSDB), que há anos criou projeto pedindo a duplicação da rodovia, também participou da reunião.
De acordo com o diretor regional do DER, Dênis Nogueira de Lima, a via recebe uma média de 10 mil carros todos os dias. Ele destaca que assim que o aeroporto Moussa Tobias começar a receber mais vôos, a tendência deste volume é aumentar. Para ele, a duplicação e a construção das pistas marginais seria a solução.
Como isto ainda não foi definido pelo governo do Estado, a saída encontrada entre os participantes da reunião foi a construção da lombada. Porém, mesmo esta medida precisa de uma série de estudos para verificar a viabilidade da sua implantação. Hoje, o diretor iria levar estudos da lombada para serem analisados pelo superintendente do DER, em São Paulo.
Como atitude imediata, Lima afirmou aos participantes da reunião que iria intensificar a sinalização da pista e incluiria o trecho urbano da rodovia SP 321 no sistema de rodízio do radar estático do departamento. Ele também reafirmou a necessidade da comunidade continuar pleiteando a duplicação da via.
O tenente-coronel Carlos Alberto Fantini, comandante do Policiamento Rodoviário, que também participou da reunião, destaca que a região já recebia atenção redobrada por parte dos policiais. “Vamos continuar com o policiamento direcionado ao trecho, que é crítico”, destaca. Fantini também afirmou que colocou à disposição da comunidade a estrutura do Policiamento Rodoviário para palestras e campanhas nos bairros próximos à rodovia Bauru-Iacanga.
Eduardo Gonçalves, amigo de Carlos Augusto de Souza Filho, elogiou a iniciativa. “A reunião foi positiva até certo ponto. Não conseguimos a duplicação, mas abrimos um canal de comunicação”, avalia. Para ele, a implantação de lombada na via, além da sinalização e fiscalização por radar, não vai pôr fim aos acidentes, mas irá melhorar as condições de segurança. “Foi pequeno, mas foi um avanço”, diz.
Mortes
Segundo informações do Policiamento Rodoviário, Carlos Augusto de Souza Filho morreu após ter a sua moto atingida pelo Fiesta dirigido por Alessandra Miranda, 26 anos. Ele estava num grupo de amigos em quatro motocicletas que voltavam de Agudos. Na altura do quilômetro 345 mais 850 metros, próximo ao centro de distribuição de produtos da Panco, a 0h10 de anteontem, por motivos ainda a serem esclarecidos o veículo de Miranda, que trafegava no sentido Iacanga-Bauru, entrou na pista contrária, atingindo a moto do rapaz.
Além de Carlos Augusto, outra vítima fatal do final de semana foi a fisioterapeuta Taís Pinheiro Chagas, 26 anos, neta do pastor Abílio Pinheiro Chagas, que sofreu acidente de carro na tarde do último sábado. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte.
Segundo informações do Policiamento Rodoviário, o acidente ocorreu por volta das 17h10, no km 359 da rodovia, próximo ao pesqueiro Pé no Chão. Taís dirigia um Renault Clio, placas DQS 9005, de Bauru, no sentido Bauru-Iacanga. O carro de Taís chocou-se com um Gol, placas DNL 9819, de Rio Preto, conduzido por Romildo Botelho de Melo, 44 anos. A noiva dele, Solange Alvarenga de Lima, 41 anos, também estava no carro. Os dois veículos capotaram. Lima foi socorrida, mas também não resistiu e morreu anteontem, a 0h40.