São Paulo - Aos 25 anos, o meia Kaká já é um dos jogadores mais experientes no grupo do técnico Dunga na Seleção Brasileira. Artilheiro da equipe no torneio, ele garante que não se sente pressionado quando a torcida pede resultado em campo ao grupo e acha bastante natural que seja ele um dos apontados como líder da equipe.
“Para mim está sendo uma novidade (a artilharia), mas eu não sou atacante”, lembra. Nos três jogos que a Seleção disputou pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, Kaká marcou três dos seis gols registrados pelo time. “Mas não me sinto sobrecarregado de forma alguma”, garante.
Na opinião do astro do Milan, as condições de jogo que têm se apresentado para a equipe acabaram determinando a situação atual. “Nenhum de nós (ele, Ronaldinho Gaúcho e Elano) tem característica de atacante. Mas nós temos nos revezado para encontrar espaços e fazer uma movimentação justa.”
Assim como o atacante Vágner Love, Kaká também acredita que os oponentes têm caprichado na marcação sobre o ataque brasileiro. Daí a diferença que tem conseguido fazer com seus chutes de longa distância. Foi com um deles que ele colocou o Brasil na frente no confronto de domingo contra o Peru. “Os chutes de fora da área estão me ajudando a marcar.”
Considerando sua experiência com a Seleção, Kaká não se surpreende com a condição de liderança que lhe atribuem. “Assumo o papel de líder porque considero natural. Mesmo sendo o mais novo, me considero o mais experiente e mesmo não sendo capitão sou um dos líderes. Mas temos muitos líderes.”
Ronaldinho Gaúcho
O sorriso sempre presente do rosto de Ronaldinho Gaúcho, sua marca registrada desde o início da carreira, não significa a alegria do astro do Barcelona, dono da camisa 10 da Seleção Brasileira. O meia-atacante anda recluso, calado, ainda incomodado com uma dor no tornozelo direito. E seu futebol, neste fim de temporada, ainda é abaixo do esperado por todos, torcedores do clube espanhol ou fanáticos pelo Brasil.
Desde a semana passada, Ronaldinho evita falar com a imprensa. Nada de entrevistas. Nos treinos, é o último a entrar em campo - foi assim no Estádio Monumental de Lima, antes do empate por 1 a 1 com o Peru, e também ontem, no reconhecimento do gramado do Morumbi - e nem sequer arrisca um aceno para os fãs, que se cansam de gritar seu nome e não recebem nenhuma recompensa por perderem a voz. Pessoas próximas garantem ser apenas concentração do astro. Muitos discordam e duvidam. Kaká e Robinho, por exemplo, sempre retribuem o carinho com algum gesto.
Ontem, num dia atípico de entrevistas, no qual falaram os jogadores Naldo, Alex, Juan, Mineiro, Elano, Júlio Baptista, Kaká e Robinho, no Hotel Transamérica, a presença do esperado Ronaldinho Gaúcho ficou apenas na aparição de um sósia do jogador, que, num primeiro momento, chegou a confundir quem estava desatento. A garantia é de que Ronaldinho falará após o jogo. Como também era em Lima, quando não apareceu.
“O Ronaldinho Gaúcho é muito importante para nós. Sem ele, nosso time perde um pouco da magia do futebol”, chegou a dizer o volante Gilberto Silva, no sábado, quando a escalação do jogador frente ao Peru ainda era uma incógnita.
Os jogadores sabem, porém, que só a presença do craque não basta. E o jogo de Lima, no domingo, foi uma prova disso. Ronaldinho, apesar de jogar os 90 minutos, nem de perto fez o que se esperava dele. Visivelmente se poupando, ele não arriscou jogadas, preferiu o toque curto e só ameaçou o goleiro peruano Penny em uma cobrança de falta.