Avaí - Os índios da aldeia Tereguá na Reserva Indígena de Araribá em Avaí (39 quilômetros de Bauru) radicalizaram e ontem impediram o atual administrador substituto da regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Bauru, Cristino Aparecido Cabreira Machado, de sair do apiário da aldeia. Ele havia sido convidado para uma reunião. A medida visava pressionar a diretoria em Brasília a designar um nome indicado pelos caciques para administrar a regional.
Ao final da cerca de seis horas de negociações, Machado encaminhou documento com a indicação do nome do servidor Emilio Pereira Barbosa Neto. Técnico em contabilidade no escritório de Bauru, ele foi escolhido pelos caciques para substituir Machado interinamente, até que o nome de um índio seja definido num consenso entre as aldeias e, posteriormente, aprovado e nomeado em definitivo pelo presidente da Funai, Márcio Augusto Freitas de Meira.
“Conversamos com o Aloysio (Guapindaia, da diretoria de assistência da Funai em Brasília) e ele falou que o Emílio começa na segunda-feira”, disse o cacique Anildo Lulu. De acordo com ele, a comunidade indígena ficou insatisfeita ao saber pelo JC que Machado seria efetivado no cargo de administrador. Para os índios, as tribos deveriam ter sido consultadas. Além disso, defendem o nome de outro índio para o cargo.
Lulu acredita que só com muita pressão a direção do órgão federal em Brasília irá dar uma respostas aos índios. “Nós chamamos o Cristino para uma reunião e convidamos ele para ficar. Se ele quiser sair daqui, nós não vamos deixar até que tenhamos uma resposta.”
Para o cacique, a situação está bem delineada. “Se não serve o Gabriel, que eles escolham outro. Temos vários índios trabalhando na Funai e outros tantos que estudaram e estão prontos para assumir um cargo. Não podemos aceitar uma pessoa que não conhece a nossa realidade.”
De acordo com o cacique, o administrador anterior não atendia às necessidades dos índios de Avaí. “Ele não lutava para fazer parcerias. Nós dependemos disso porque desenvolvemos atividades agrícolas. Nossa região é diferente do litoral.”