Brasília - Após uma manobra da oposição para tentar atrapalhar o calendário de votação da CPMF, o presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC), adiou para a primeira semana de dezembro o desfecho do processo de cassação contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL).
Segundo senadores da base governista, o Planalto orientou os líderes aliados a concordar com a oposição e não pressionar para encurtar os prazos porque ainda não tem um nome definido para suceder o peemedebista à frente da Casa. Mas há também o fato de que o governo foi surpreendido pela manobra dos tucanos - o Planalto contava resolver a questão Renan de forma rápida para encaminhar a da CPMF.
O processo contra Renan que vai a plenário trata de denúncias de que ele usou “laranjas” para comprar rádios. O relatório que recomenda a perda do mandato foi aprovado no Conselho de Ética por 11 a três. Antes de ir ao plenário, o processo precisa ter o aval na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O relator do processo na CCJ, Arthur Virgílio (PSDB-AM), decidiu não apresentar o relatório nesta semana, o que levou Viana a desistir de votar o caso em plenário na quinta. Agora, a votação na CCJ será no dia 28. Deverá haver pedido de vista, e o processo iria a plenário em 4 ou 5 de dezembro. O primeiro turno da CPMF ficaria para a semana seguinte, no dia 14, e o segundo, no dia 20 - sem convocação extraordinária, o Legislativo pára no dia 21.
Apesar de os dois casos ficarem “embolados”, a avaliação dos governistas na Casa é que a oposição ajudou o Planalto, que passou a temer um racha no PMDB diante de uma disputa pelo comando do Senado. Para eles, uma eventual renúncia de Renan da presidência nesta semana levaria a uma eleição já na seguinte. Aí, uma divisão peemedebista poderia fazer o Planalto perder mais votos pró-CPMF entre os aliados. “A base não tem que ter angústia nem agonia para votar”, disse o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR).
Licenciado da presidência desde 11 de outubro, Renan comunicou à bancada do PMDB que não reassumirá. Como sua licença expira no domingo, ele tem de decidir até sexta se estende a licença ou renuncia ao cargo. Até ser informado da virada no calendário, havia dito a aliados de que renunciaria ao cargo se fosse absolvido. Ontem, ele mudou de idéia. Para a bancada do PMDB, avisou que tirará nova licença, de 30 dias. À oposição, disse que cogita reassumir a presidência, pois o acordo no qual trocaria a cadeira pelo mandato fora descumprido. Mas é só uma ameaça, que não será cumprida.
O alagoano não gostou do adiamento. Avalia que ele até beneficia o governo, mas não é de seu interesse.