08 de julho de 2026
Esportes

Eliminatórias: Brasil sofre, mas vence e quebra tabu

Por Da Redação | Com Gazeta Press e Agência Estado
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Ainda bem que Dunga mandou a coerência que tanto apregoa às favas e, num arroubo de bom senso (e também para fazer um pouco de média com a torcida paulista), mexeu na Seleção Brasileira que ele dois dias antes dissera ser intocável e colocou Luís Fabiano no lugar de Vágner Love ontem, na partida contra o Uruguai.

O ex-são-paulino retribuiu a “confiança” fazendo os gols do Brasil na vitória por 2 a 1 sobre o adversário, que certamente garantirá ao treinador algumas noites de sono tranqüilo. O tabu de mais de oito anos sem vencer o Uruguai está quebrado.

Não fosse Luís Fabiano e o apoio e a paciência do torcedor paulista - pedidas por Dunga e os atletas nos dias que antecederam ao jogo com os uruguaios -, não teriam existido. Mesmo porque os gols do centroavante e as defesas do goleiro Júlio Cesar (falhou no gol do adversário, mas depois fechou o gol) não escondem as falhas da Seleção Brasileira.

O time de Dunga não tem padrão tático, parece recusar-se a fazer jogadas no setor de meio-campo (as bolas passam diretas da defesa ao ataque), marca mal e pouco cria. E que facilmente se perde diante de uma forte marcação.

Foi assim ontem, diante do Uruguai, que dominou totalmente o primeiro tempo. Abriu o placar aos oito minutos, após cruzamento da direita que Júlio Cesar cortou mal e Abreu aproveitou e teve várias chances para ampliar. Não conseguiu e levou o empate aos 44 minutos, quando Luís Fabiano acreditou num passe de Maicon e, sem ângulo, enfiou a bola no meio das pernas do goleiro Carini.

Naquela altura, a torcida, impaciente com a Seleção, já havia xingado o técnico Dunga, vaiado três vezes o time com mais intensidade e gritado “Ão, ão, ão, cadê a Seleção”. As vaias voltaram a ser ouvidas ao fim do primeiro tempo, mesmo com o empate.

O início do segundo tempo foi preocupante. A Seleção continuava perdida. A torcida se revoltou quando Dunga trocou Ronaldinho Gaúcho pelo volante Josué. O atacante do Barcelona, apagado como Robinho, foi criticado. Mas o técnico irritou muito mais ao trocar um homem de frente por um volante. Dunga foi, então, chamado de “burro”.

Mas o gol de Luís Fabiano, aos 19 minutos, aproveitado um chute torto do novamente fraco Gilberto após cruzamento do esforçado e (ontem) eficiente Maicon, acabou com a pressão.

Depois do segundo gol da Seleção, alívio. Apesar de alguns sustos quando o Uruguai atacou, a vitória foi garantida. O Brasil chega, assim, aos oito pontos em quatro jogos e ganha meses de calmaria. Até as partidas de junho, contra Paraguai e Argentina.

Brasil Júlio César; Maicon (Daniel Alves), Alex, Juan e Gilberto; Gilberto Silva, Mineiro, Kaká e Ronaldinho Gaúcho (Josué); Robinho (Vágner Love) e Luís Fabiano.

Uruguai Carini; Pereira, Godín, Lugano e Fucile; Álvaro González, Gargano, Inácio González (Bueno) e Cristian Rodriguez; Abreu e Suarez (Sanchez).

Árbitro Hector Baldassi (ARG)