10 de julho de 2026
Internacional

Paralisações na França chegam ao 8º dia com sabotagem em ferrovias

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Paris - O tráfego ferroviário na França sofreu uma série de sabotagens ontem, dia em que a greve chegou ao seu oitavo dia, aponta denúncia da companhia de trens SNCF.

Uma trégua dos condutores e maquinistas era esperada para ontem, quando as negociações entre os sindicatos, as companhias e representantes do governo terão início. Porém, as paralisações prosseguiram porque algumas entidades sindicais não estão de acordo com os termos das conversas.

A direção ferroviária nacional (SNCF) denunciou a existência de uma ação coordenada em algumas linhas dos trens de alta velocidade (TGV) do leste, norte e sudeste do país, destinadas a “dificultar a retomada do tráfego”.

O secretário-geral da filial ferroviária do sindicato CGT, Didier Le Reste, disse que as sabotagens são “atos inqualificáveis e cometidos por covardes”. Em um desses atos, um incêndio nos cabos da rede de sinalização provocou danos de 30 km na linha Atlântica, segundo a denúncia.

O governo esperava que a abertura das conversações faria com que os trabalhadores voltassem ao trabalho. As negociações começam depois que os funcionários públicos se uniram à greve dos trabalhadores do setor do transporte para protestar contra as reformas implementadas pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Aparentemente, Sarkozy conta com o apoio da população, de acordo com pesquisas de opinião. Segundo uma enquete publicada ontem, 68% dos franceses consideram a greve injustificada e 69% querem que o governo se mantenha firme.

Transtornos

Embora tenha sido registrada uma ligeira melhora no serviço, as paralisações no tráfego continuaram na França. Ontem, formaram-se mais uma vez dezenas de quilômetros de congestionamentos em Paris e nos arredores, em conseqüência das centenas de milhares de pessoas que optaram pelo carro como alternativa de transporte.

Donos de tabacarias também fizeram manifestações ontem contra a proibição do fumo em cafés, bares, restaurantes e clubes, a partir do ano que vem, e muitas universidades pararam em protesto contra uma reforma educacional.

O presidente francês manteve ontem a sua determinação de promover a reforma. Ele afirmou que não haverá mudanças no ponto fundamental - o aumento do período de contribuição que dá direito a aposentadoria integral, de 37,5 anos para 40 anos. Sarkozy, no entanto, insistiu numa abertura, afirmando que há pontos negociáveis.

A presidente da SNCF, Anne-Marie Idrac, disse que não será radical nas conversas. Mas também não chegará a ser “irresponsável” ao ponto de “pôr em perigo” a empresa. Já a presidente da patronal francesa Medef, Laurence Parisot, considerou a greve nos transportes uma “catástrofe” e um “terremoto” que terá um custo econômico “provavelmente gigantesco”.

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Trens colidem na ilha francesa de Córsega e deixam 24 feridos

Córsega - Uma colisão entre dois trens deixou ontem 24 feridos na ilha francesa de Córsega. O acidente ocorreu no oitavo dia de greve dos transportes na França. De acordo com o serviço de segurança local, cinco pessoas se feriram gravemente, entre elas os dois condutores.

O acidente ocorreu pela manhã entre as cidades de Bastia e Ponte-Leccia. As primeiras informações davam conta de que a colisão teria sido provocada por erro humano, mas o governo vai instaurar uma investigação para analisar as causas do acidente.

A companhia ferroviária SNCF denunciou atos de sabotagem ontem em ferrovias francesas. No entanto, não há indicação de danos causados propositadamente na rede ferroviária de Córsega.

A direção da SNCF disse haver uma ação coordenada em algumas linhas dos trens de alta velocidade (TGV) do leste, norte e sudeste do país, destinadas a “dificultar a retomada do tráfego”.