09 de julho de 2026
Bairros

Zona sul é principal cliente das empresas de segurança

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Enquanto a polícia continua no encalço de dois suspeitos de serem autores da maioria dos furtos na zona sul, a região figura como principal “cliente” das empresas de segurança. Consultada pelo JC, uma delas optou, inclusive, por transferir-se para a área, que envolve bairros como Jardim Estoril, Jardim Aeroporto, Paulista e América.

De uns quatro meses para cá, o consultor de segurança Paulo Salomão notou aumento na procura por sistemas de segurança por parte de moradores da área. “Cresceu uns 30% a 40%. Tem havido muito furto rápido. Quebram a vitrine, pegam algo e fogem logo”, comenta. Por conta da situação, ele não pode queixar-se das vendas de monitoramento por alarmes e câmeras.

No primeiro caso, o interessado despende cerca de R$ 40,00 por mês. No segundo, em torno dos R$ 300,00. “As vendas de cerca elétrica caíram porque todo mundo já tem”, comenta Salomão. Atualmente, até sistemas mais complexos tornaram-se mais acessíveis. É o caso de sistemas com câmeras, cujas imagens são gravadas no disco rígido de um servidor e os clientes têm acesso a elas via Internet. Tanto das gravadas anteriormente, quanto das registradas em tempo real.

Se antes tais produtos eram majoritariamente vendidos aos setores comercial e industrial, agora ocupam espaço nas residências, informa o proprietário de uma empresa de segurança Hudson Jorge Cardia. “90% dos meus clientes estão (situados) da (rua) 15 de novembro para cima”, afirma. Dependendo do projeto pagam até R$ 1 mil mensais.

Impressões

Cardia também constatou, nos últimos seis meses, aumento dos registros de pichações, vandalismo e pequenos furtos na zona sul. Impressão idêntica tem uma entrevistada, que pediu para ter o nome preservado por razões de segurança. Situado no Jardim Planalto, já entraram no estabelecimento onde ela trabalha e levaram duas motocicletas.

“Arrombaram só uma vez. Picharam várias. A iluminação é ruim e tem muita clínica por perto. Elas ficam fechadas à noite, é mais fácil (para quem quer furtar). De dia a gente vê policiamento. À noite não sei como é”, comenta. Para evitar novos problemas, foi reforçada a segurança do negócio. Recebeu câmeras externas com sensor de presença, além de portas mais fortes.

Uma outra entrevistada também colocou a mão no bolso para tornar mais eficiente a segurança do imóvel onde mora. “Uma área sobre o portão ficava desguarnecida. Tivemos que fazer (o investimento) porque aquela área (zona sul) da cidade está muito visada e não tem policiamento”, garante.

Ela conta que numa noite avistou um sujeito suspeito perto de casa, avisou a Polícia Militar, que não encaminhou uma viatura para protegê-la. “Recorri a um vizinho”, conclui.

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No encalço

No artigo 144 da Constituição Federal consta que a segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos. Ainda assim, como agente público, o titular do 3.º Distrito Policial (DP), Silberto Sevilha Martins, acredita que o Estado deve suprir todas as necessidades de seus cidadãos. Para tanto, colocou uma equipe exclusivamente para ir atrás dos dois suspeitos de cometerem furtos na zona sul.

“Um deles foi identificado por fotografia por duas pessoas em ocorrências distintas”, comenta. Diligências também estão sendo feitas pela Polícia Militar. Porém, o comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar (PM), Willian Carlos Padovini, alerta para alguns cuidados que ajudam na proteção pessoal, como reforçar o portão de casa e não deixar objetos de valor no carro. “A PM está na rua durante a noite. Algumas pessoas não vêem porque estão nas suas casas dormindo, fazendo as refeições ou vendo televisão.”