08 de julho de 2026
Internacional

Morre coreógrafo Maurice Béjart

Por Adriana Pavlova | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Uma das grandes referências da dança do século 20, o coreógrafo francês Maurice Béjart morreu ontem, aos 80 anos, em Lausanne, cidade suíça onde escolheu viver e trabalhar com sua companhia nas últimas duas décadas. O artista, que se projetou mundialmente ao revigorar a dança clássica com audácia, mas sem deixar de lado a técnica do balé, vinha enfrentando problemas cardíacos e renais.

Na semana passada, Béjart fora internado no hospital universitário de Lausanne pela segunda vez em um mês, alegando muito cansaço. Mesmo doente e acamado, ele passou os últimos dias envolvido com os detalhes daquela que será sua derradeira criação para a companhia que leva o seu nome - a Béjart Ballet Lausanne, fundada por ele na Suíça, depois de ter dirigido o Balé do Século 20, em Bruxelas, de 1960 a 1987.

O espetáculo “A Volta ao Mundo em 80 Dias” tem estréia marcada para o próximo dia 20 de dezembro, em Lausanne, seguindo em fevereiro para Paris, a primeira parada de uma turnê mundial. “Estamos muito chateados mas o show vai continuar”, disse o porta-voz da companhia, Roxanne Aybek, confirmando a première do balé.

Nascido em Marselha em 1927, filho de um filósofo, Maurice Berger começou a dançar ainda rapaz, por indicações médicas. Não demorou muito para que se apaixonasse e decidisse tornar as sapatilhas um projeto profissional. Ao mudar-se para Paris, para aprofundar-se nos estudos do balé clássico, ele também escolheu o pseudônimo que o projetaria em todo mundo.

Béjart foi uma homenagem a Molière, cuja esposa se chamava Armande Béjart. Em cinco décadas de criação, o coreógrafo, dono de profundos olhos azuis, montou um acervo de cerca de cerca de 250 coreografias, que espelharam em muito suas paixões e interesses, como o esoterismo, o amor por culturas diversas e misturas artísticas. Entre os hits coreográficos que deixou inscritos na dança do século passado, estão “Bolero”, com música de Ravel dançado por bailarinos homens, e a sua versão para “A Sagração da Primavera”.