09 de julho de 2026
Nacional

PTB deixa a aliança governista no Senado e será independente na CPMF

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A bancada do PTB no Senado se desligou ontem do bloco de apoio ao governo na Casa e decidiu que irá atuar de forma independente na votação da emenda que prorroga a CPMF por mais quatro anos e nas demais proposições. A decisão coincidiu com a saída de Walfrido dos Mares Guia, que é do PTB, do cargo de ministro das Relações Institucionais. Mares Guia foi acusado de envolvimento no escândalo do valerioduto tucano. O partido tem sete votos, dois deles - dos senadores Mozarildo Cavancati (RR) e Romeu Tuma (SP)- já declarados contra o chamado imposto do cheque.

Na prática, o PTB continuará na base de apoio do governo, mas não se submeterá mais as orientações do bloco, o que obrigará o Planalto a negociar com o partido em cada votação. A decisão da bancada foi uma retaliação à líder do bloco e do PT na Casa, Ideli Salvati (PT-SC). Há duas semanas, ela substituiu o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para evitar que ele votasse contra a emenda da CPMF.

A bancada também estava insatisfeita com o Planalto que privilegiou a oposição na discussão da CPMF. “Vamos ter vida própria, não vamos ter uma pessoa que tira e bota membros das comissões”, disse o líder do PTB no Senado, Epitácio Cafeteira (MA). Segundo ele, a bancada terá independência a partir de agora, sem obedecer às ordens da líder do bloco. Ideli não comentou o assunto ontem.

Para outros líderes da base, a saída do PTB é mais um fator contra a CPMF. “Causa um efeito negativo para o governo neste momento e dificulta a articulação da base”, disse o líder do PSB, Renato Casagrande (ES). O líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), minimizou. “O partido tomou a decisão que entendeu melhor, não vejo prejuízos”, disse.

Mozarildo disse que a decisão de deixar o bloco é irreversível e que isso significa ter independência da base aliada. “Não queremos ser tratados como partido de segunda categoria”, afirmou.

Com a saída do PTB, o bloco governista no Senado será composto pelo PT, PR, PSB, PCdoB, PRB e PP. O PDT também não integra o bloco e atua de forma independente. A bancada do PTB conta com os senadores Romeu Tuma (SP), Epitácio Cafeteira (MA), Sérgio Zambiazi (RS), Gim Argello (DF), João Vicente Claudino (PTB-PI) e Fernando Collor de Mello (AL).