07 de julho de 2026
Geral

Afeto estimula inteligência e equilíbrio

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Pessoas mais inteligentes e equilibradas emocionalmente. Essa é a conseqüência de se viver em um ambiente onde há afeto em abundância. A afetividade interfere na maneira como o indivíduo se relaciona com a vida. Direta ou indiretamente, ela influencia o pensamento humano. O afeto é uma somatória de emoções que motiva a busca pelo aperfeiçoamento.

De acordo com a psicóloga Kátia Villanova Dal Médico, quanto mais afeto receber uma criança, mais ela terá interesse em descobrir coisas novas. “O afeto motiva a criança a aprender e isso a torna mais inteligente”, afirma.

No século passado, o psicólogo e filósofo suíço Jean Piaget afirmara ser “incontestável que o afeto desempenha um papel essencial no funcionamento da inteligência”. Segundo ele, sem afeto não há interesse nem motivação. Sem isso, não há inteligência.

“Ao viver em um ambiente afetivo, a pessoa tem espaço para expressar sentimentos, tem carinho, tem suporte e apoio”, afirma a psicóloga Angela Ferreira Domingues. O equilíbrio emocional ajuda a manter a auto-estima elevada e serve como uma armadura contra as provocações.

Na opinião de Luciana Costa, 37 anos, esse equilíbrio é o que vem ajudando sua filha Camila, 15 anos, a superar uma das fases mais complicadas da vida, em termos emocionais: a adolescência. Uma fase que ainda não passou, mas a personalidade que ela desenvolveu graças ao apoio da família, torna-a quase que imune aos obstáculos que possam vir pela frente.

Luciana diz ter observado que na escola onde os filhos estudam, as crianças que apresentam problemas de comportamento, geralmente, têm pais ausentes. Por outro lado, os alunos com desempenho acima da média, em sua maioria, são filhos de pais que procuram sempre saber o que está se passando com seus pequenos dentro da escola.

“Nota-se uma diferença muito grande, porque essas crianças são mais felizes e não são agressivas. Eu fico espantada com o respeito que elas demonstram”, comenta Luciana. “E isso reflete no rendimento escolar dessas crianças.” Além de Camila, Luciana tem ainda o pequeno Lucas, 9 anos.

Segundo a psicóloga Angela, o afeto interfere também no humor das pessoas. Às vezes, uma mesma situação pode gerar reações completamente diferentes dependendo do humor do indivíduo naquele momento. “Se você está num dia bom e alguém passa na sua frente na fila do banco, você até releva, apesar de não gostar daquilo. Mas se você não está num dia bom, a mesma situação vai levá-lo a um comportamento mais agressivo, sua tolerância diminui muito”, relata.

Sem afeto, as pessoas ficam propensas a ver as coisas de forma negativa. Segundo a psicóloga, tudo é estressante e por causa do estresse, a saúde é afetada, o que pode gerar problemas cardíacos e até mesmo alguns tipos de câncer.

Kátia, por sua vez, lembra a importância de se trabalhar em um ambiente afetivo, onde as pessoas possam desenvolver suas potencialidades, sem a imposição do medo, das ameaças, que, segundo a psicóloga, faz com que as pessoas deixem a criatividade de lado. “O medo de fazer algo diferente, errar e depois ser duramente criticado inibe a criatividade”, afirma.

Ainda de acordo com Kátia, embora o ambiente afetivo proporcione condições adequadas para o desenvolvimento da inteligência, nem sempre isso ocorre. “Existem pessoas superinteligentes que não tiveram um ambiente afetivo adequado. Como tem também pessoas que tiveram bastante afeto mas não desenvolveram o intelecto”, pondera. Mas, no geral, a inteligência e afetividade caminham juntas, uma leva a outra”, afirma.