09 de julho de 2026
JC Criança

Oportunidade para uma nova fase

Dayran Carvalho
| Tempo de leitura: 5 min

Está chegando o final do período de aulas e, com ele, uma realidade que muitas crianças tentam evitar: mudanças de escola. Não que as trocas de colégio aconteçam só nos finais de ano, mas é nesta época que elas são mais freqüentes.

O endereço novo é longe demais, o dinheiro dos pais encurtou ou a escola de sempre não tem ensino fundamental ou médio? As razões que levam os pais a mudarem os filhos de escola podem ser muitas, mas o clima de apreensão e o medo de não conseguir se adaptar são presentes na maioria das crianças. Mas esta situação também pode ser vista com bons olhos, pois é uma ótima oportunidade para conhecer outros ambientes e fazer novos amigos.

A garota Raíssa Guerini tem 7 anos e está saindo do pré-2 (com equivalência do primeiro ano do ensino fundamental) e indo para a 2ª série. Na escola em que estuda só há educação infantil, então, ela está passando por esta fase que muitos baixinhos tentam evitar. Como esperado, Raíssa está triste com a mudança, pois adora o local em que estuda e não quer deixar seus amigos. “Eu não quero ficar separada deles”, desabafa.

A presença dos amigos é tão importante para a garota, que chega a ser um dos critérios utilizados para decidir em qual colégio pretende estudar. Ela, que estuda na Escola de Educação Infantil Xeretinha, conta que está dividida, pois metade dos colegas de classe vão para um lugar e a outra metade para outro. “Quando escolho um colégio por causa de um amigo, fico sabendo que outro amigo não vai estudar lá. Aí não sei para onde quero ir”, fala.

Mas é curioso o quanto os sentimentos se misturam. Ao mesmo tempo que Raíssa se entristece com a mudança, ela fica ansiosa para saber como será a nova fase.

“Mesmo triste, eu fico na expectativa porque minha mãe sempre fala que vai ser legal, que eu vou aprender coisas diferentes, conhecer novos professores e fazer amiguinhos”, explica. A garota tem uma vontade que, se fosse possível, agradaria muita gente. “Bom seria se eu pudesse juntar os amigos que já tenho e levar junto comigo, assim, eu faria novas amizades e estaria sempre perto das mais antigas. Todo mundo seria amigo de todo mundo”, brinca.

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Por outro lado...

João Pedro Pavani Custódio tem 6 anos e está na primeira série do Colégio Adventista. Neste final de ano, ele não vai mudar de escola, mas já passou por esta experiência várias vezes. E, pode acreditar, ele encontrou coisas positivas.

Sua primeira escola foi o colégio Viver e, por questões familiares, mudou-se para o Mato Grosso, deparando-se com um novo ambiente escolar. Meses depois, no ano passado, retornou para Bauru e foi matriculado em outro colégio, onde terminou aquele semestre. No início deste ano letivo, o garoto foi matriculado no Colégio Adventista, que fica perto da sua casa, e está muito feliz lá.

Ao ser questionado sobre como foi o processo de adaptação nesta nova escola, a resposta foi imediata: “Foi legal! Eu encontrei amigos novos”, disse o garoto. Ele conta que quando teve que sair do Colégio Viver ficou triste e inseguro, pois gostava de lá. No entanto, ele prefere ressaltar o saldo positivo da experiência.

“Eu consegui manter os amigos que eu tinha naquele colégio e conheci gente nova. Como lá tinha muita gente que eu gostava, eu não deixei de lado por causa da outra escola. Sempre que posso, faço vários programas divertidos com o Jonas, o Max e outros garotos”, lembra com carinho de amigos antigos que ainda são atuais. Ele admite que sentiu dificuldades nas primeiras semanas e, ainda hoje, passa por isso em algumas atividades. Mas garante que foi só uma questão de adaptação. Quanto às dificuldades de hoje, João Pedro afirma que logo serão superadas.

Dalcira Rufato Pavani, avó do garoto, não é favorável a várias mudanças de colégio, principalmente em curto espaço de tempo. Mas, ela diz com alegria que seu neto conseguiu se adaptar bem à nova realidade. “Vi que não precisava ter medo porque era só uma nova fase”, diz João Pedro.

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Voz profissional

“A questão da mudança escolar é uma novidade para as crianças”, acredita a pedagoga Elisandra Tavares Gouvea. “É uma situação em que elas, já acostumadas a uma rotina, entrarão em uma nova fase e terão afazeres diversificados”, diz. “Cada escola tem seu ritmo e seu projeto pedagógico”, complementa.

No entanto, muitas crianças têm medo desta troca e ficam acanhadas diante de novidades. Segundo Gouvea, elas ficam inseguras com o processo de readaptação.

Para levar esta e outras situações da melhor maneira possível, é necessário que haja diálogo e interação entre os pais, as crianças e a direção da nova escola. Os pais devem procurar saber quais são as preocupações e os medos de seus filhos para mostrar a eles a importância e a necessidade da mudança e, ainda, que ela poderá ser muito positiva; os filhos devem confiar e falar aos pais o que sentem e o que acontece no dia-a-dia; e a escola deve possuir um bom programa para recepção e adaptação de novos alunos. Com o empenho das três partes envolvidas, a maioria das crianças acaba se adaptando rápido e com mais facilidade”, explica.

A pedagoga enfatiza que mesmo com a possibilidade de adaptação rápida, a questão da mudança de escola deve ser vista com ressalvas. Segundo ela, há um limite entre os lados positivo e negativo. Os pais devem evitar mudar os filhos de escola com muita freqüência, pois isso pode ocasionar problemas emocionais e de aprendizado.

“Mas, se a mudança não puder ser evitada, a melhor alternativa é a criançada se empolgar com a nova fase e tentar tirar dela as melhores experiências”, finaliza.