Uma pancada violenta de chuva com granizo e ventos, cuja velocidade chegou a 67 quilômetros por hora, provocou estragos em várias regiões da cidade, especialmente na sudeste. Derrubou árvores e postes, destelhou casas, além de deixar alguns bairros sem energia elétrica. O temporal começou por volta das 19h30 e cessou cerca de uma hora depois.
Conforme o JC publicou anteriormente, a partir dos 52 quilômetros por hora o vendaval já pode ser caracterizado, segundo a Escala Beanfort. Classificado como ventania forte, neste caso já fica difícil andar contra o vento. Por causa dele, árvores caíram no Jardim Carolina, por exemplo. No bairro, foram pelo menos cinco plantas que tombaram, algumas atingiram casas, outras apenas impedindo o trânsito nas vias.
Na avenida Rodrigues Alves, em frente ao Horto Florestal, diversos galhos caíram, interditando a pista centro-bairro da via. Para evitar acidentes, o porteiro Carlos Alberto Vaz parou a sua motocicleta para tirar os galhos que bloqueavam a pista. “Imagina, os bombeiros deveriam estar atendendo problemas da cidade toda. Então eu resolvi fazer a minha parte e puxar os galhos, para ninguém se machucar”, conta. Sozinho, removeu quase tudo. “Só o último que estava muito pesado e eu tive que pedir ajuda para tirar da avenida”, diz.
No Mutirão Primavera, uma árvore caiu numa praça do bairro. Era uma cana fístula com mais de 30 anos, segundo informações dos moradores. Algumas quadras abaixo, apesar da escuridão provocada pela queda na energia elétrica, um barzinho permanecia aberto. O bar da dona Odeli Martins funcionou até 21h30 à luz de velas. “Gastei uma caixa e meia. O pessoal é amigo da gente e não é porque fiquei sem luz que eles vão embora”, conta. Ela estava fechando o estabelecimento quando a eletricidade no bairro voltou.
Em algumas escolas, como a Luiz Zuiani, as aulas do período noturno foram, suspensas pela falta de energia elétrica.
Vendaval
O Jardim Contorno retratou a força do vento. Como num efeito dominó, derrubou uma árvore sobre a fiação, que puxou os postes da rua Padre Francisco Van Der Maas, cruzamento com a rua Dionísio de Aguiar. Conseqüentemente, os postinhos das casas foram danificados. “Não dá para sair nem entrar com o carro. Pode cair (o poste sobre o veículo). Estamos sem luz (já fazia mais de duas horas)”, comenta a comerciante Marta Capelli, preocupada com eventuais prejuízos.
Não muito longe de lá, no Jardim Rendentor, antenas parabólicas voaram, assim como placas de estabelecimentos comerciais. Parte do bairro permaneceu no escuro. Após mais de duas horas, a energia foi restabelecida, embora o Distrito Industrial, por exemplo, continuasse no escuro. Por conta da situação, a Base Comunitária de Segurança Sudeste reforçou a segurança nas imediações.
O coordenador da Defesa Civil, tenente Eros Pereira, informou que sete casas foram parcialmente destelhadas na cidade. Todas na região sudeste, a mais atingida pelo temporal. Os imóveis danificados são do Jardim Mendonça, Jardim Carolina e Jardim Redentor. “Como o destelhamento foi parcial, fornecemos lona plástica para que as famílias pudessem proteger suas casas”, conta.
Além de danificar imóveis, o vendaval derrubou muitas árvores. Só na avenida Hélio Police, no Jardim Redentor, Pereira afirma que ao menos cinco estavam no chão. Na avenida Cruzeiro do Sul, uma árvore tombada interditou o trânsito na altura da quadra 30.
Até o fechamento da edição, o Corpo de Bombeiros já tinha atendido casos de quedas de árvores na rua Adante Gigo e Noé Antônio Onofre Teixeira, no Jardim Carolina; na rua Francisco Boneti, no Cecap; na rua São Silvestre, no Jardim Redentor; na rua José Antônio Barreto, na Vila Santa Luzia, e rua Padre Francisco Van Der Maas, no Jardim Contorno.