10 de julho de 2026
Bairros

Situação limite nos bairros gera dois protestos por mês

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Mais uma via pública de Bauru foi interditada ontem durante protesto. Desta vez, moradores do Pousada da Esperança 1 se esforçaram para chamar a atenção das autoridades, a quem reivindicam uma lombada. A estratégia para se fazer ouvido já tornou-se velha de guerra. Só neste mês, pelo menos quatro manifestações foram organizadas. Situações consideradas limite nos bairros já são responsáveis por pelo menos dois atos públicos realizados por mês, conforme levantamento do Jornal da Cidade a partir de dados de 2007.

Os protestos espontâneos, no entanto, não pipocam aqui e ali apenas em virtude dos ares democráticos. Distantes de movimentos organizados e de grupos político-partidários, denotam a descrença da população frente aos antigos canais pelos quais os cidadãos se sentiam representados. A avaliação é do antropólogo e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Cláudio Bertolli Filho.

“Aponta uma fragilidade. Esse cidadão se sente desamparado (pelos partidos políticos e poderes como Executivo, Legislativo e Judiciário, etc). Trata-se de uma situação limite que as outras organizações não conseguiram dar conta. O que resta são as manifestações públicas”, reitera o antropólogo.

Sucesso

Na contramão da “falência dos poderes constituídos”, os movimentos chamam a atenção da mídia e assim provocam repercussões, inclusive oficiais. “Mesmo sendo espontâneos (tais protestos) tendem a atingir o objetivo”, comenta Bertolli. Mas nem por isso reunir um grupo de pessoas para reivindicar algo justo é tarefa fácil. A opinião é do técnico em edificações, Eduardo Gonçalves.

Ele foi um dos organizadores do protesto que pediu a duplicação da SP 321 (Bauru-Iacanga). A manifestação foi organizada depois que duas pessoas morreram na rodovia num mesmo final de semana. “A revolta acaba mobilizando”, avalia. Porém, ele defende que a população saia às ruas antes que a situação limite se instale, faça vítimas e provoque indignações.

“A população ainda é inerte. Só reclama. É difícil organizá-la. Mas é necessário (agrupar as pessoas em torno de uma causa) porque o poder público não funciona”, diz Marlene Rodrigues Costa, que só neste ano interditou cinco vezes a avenida Castelo Branco para reivindicar semáforo. Para ela, o grande entrave chama-se burocracia. “Fica tudo no papel, ninguém resolve nada”, conclui.