09 de julho de 2026
Bairros

Manifestações deixam o meio intelectual

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Longe do meio intelectual, manifestações registradas em Bauru também vão além das razões políticas ou trabalhistas, cujos protestos foram desconsiderados no cálculo do JC. As mais recentes vêm a reboque de problemas no trânsito e são espontâneas. Partem de problemas factuais e não de pensamentos elaborados por grupos políticos ou no meio acadêmico, por exemplo.

“No meu tempo, a gente ia para rua para protestar politicamente. Sempre começava no meio político ou nas universidades, eram mais intelectualizadas (as manifestações). Agora são tribos (que protestam) por assuntos”, observa Rosemary Lopes de Moura. Ela é membro do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC), do Conselho Municipal de Saúde, gestora do Pólo Sudoeste Paulista, órgão do Ministério da Saúde, e integrante do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Oeste/Noroeste.

Unanimidade

Na opinião de Rosemary, insatisfações pontuais têm arrebatado várias pessoas, nem sempre com opiniões unânimes. Para evitar que tais movimentos percam o controle e atentem contra a segurança de quem participa ou os acompanha, ela defende movimentos previamente ordenados. “Aquilo que é desordenado fica fora de controle. É perigoso. Tem que ser organizado. Qualquer que seja o líder tem que informar a imprensa, a sociedade, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros”, afirma.

Na opinião dela, com tais cuidados o movimento se fortalece, abre espaço para discussões, longe da máxima “justiça com as próprias mãos”. Já Jesus Adriano dos Santos tem uma opinião mais tranqüila sobre tais atos públicos. Presidente da Associação de Moradores da Vila Dutra e Industrial 3 e presidente da Federação da União das Associações de Moradores de Bauru e Região Centro Oeste, ele atribui as manifestações ao progresso do município.

“A cidade vai crescendo e os problemas vão aumentado”, comenta. A conseqüência são as manifestações, também fruto da falta de discussões por parte do poder público sobre assuntos cotidianos. Frente a tantos problemas, ele também classifica a população de acomodada.

“Só quando aperta o calo é que correm atrás de Jesus”, conclui.