08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

É impossível deixar passar esta!


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Por vezes, deixo de me expressar nesta coluna para também dar oportunidade a outros. São pessoas inteligentes, que deixam aqui sua indignação ou o enaltecimento a outras. Não é o caso do pensamento publicado em 18 de novembro/07 (domingo), do senhor Márcio Augusto Scarabelo, que “mete o pau” na polícia, escudando-se na pessoa do seu pai, que, pelo que eu entendi, já é falecido. Diz em um trecho de sua narrativa: “Desde criança, meu pai sempre dizia que a polícia só prende drogados, mendigos e coitados e que, se chamasse a polícia para prender ladrões que fugiram para a direita, os policiais iriam para a esquerda.” Diz também: “Que tal fazermos nosso serviço por amor ao próximo e não apenas para esperar o salário no final do mês.” Senhor Márcio Augusto Scarabelo, discordo intensamente de sua opinião. Dou aqui a minha, e torço para que seja publicada, para que o senhor tome conhecimento. Vamos em partes. Primeira: quando diz que seu pai “dizia”, entende-se que já faleceu. É fácil comentar alguma coisa que choque a opinião pública, baseando-se em informações de pessoas que não têm condições de apresentar a veracidade dos fatos. Deve ser mais objetivo, dizendo o dia e o local que isto aconteceu. A polícia, tenho certeza, saberá punir com rigor aquele que agiu assim. Estou aqui para dar a cara para bater e pedir-lhe mil desculpas, só que, perdoe-me, mas não acredito no senhor. Segunda: o policial trabalha sim, esperando o seu salário no final do mês (quem não o faz?). Um mísero salário insuficiente, que não dá para ele viver com dignidade. Quanto a pregar amor ao próximo, o policial não tem tempo para isso. Seu tempo é empregado para proteger a coletividade, essa mesma em que o senhor está inserido e não acredita estar protegido. Só que não é raro vermos nesta coluna cartas de agradecimento. Agradecimento de pessoas que foram bem atendidas pelos próprios. Se tem dúvidas, senhor Márcio Augusto Scarabelo, eu posso enumerar aqui quantas vezes isso aconteceu. O policial não tem tempo para escolher a quem ele deve proteger, principalmente quando entra em um banco que está sendo assaltado. Sabe, senhor Scarabelo, não há possibilidades “de sair para a esquerda”, como o senhor disse. O bombeiro, que também é policial, não tem tempo de “sair para a esquerda” quando chega para combater um incêndio. Aquele policial, que encontra-se paraplégico, com uma bala na espinha, ele “não saiu para a esquerda também”. Combateu o bandido e agora se encontra nesse estado com praticamente metade de seus vencimentos, graças a uma política idiota do governo que só dá aumento para os que estão na ativa. Ele também espera todo final de mês seus vencimentos, só que para comprar remédios. Ele defendeu a coletividade que, como disse, o senhor também está inserido. Portanto, queira ou não queira, o senhor está sendo protegido. Vou te dar um conselho. Faça um curso de pastor (está na moda). Depois, saia por aí pregando amor ao próximo. Fará uma coisa importante e não terá tempo para escrever besteiras nesta coluna.

Luiz Carlos Pasquarelo - RG 3.053.575