11 de julho de 2026
Nacional

Brasil entra no grupo dos países com mais alto desenvolvimento

Por Antônio Gois | Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

Rio - Impulsionado principalmente por uma revisão nas estatísticas de expectativa de vida, o Brasil ingressou no grupo dos países considerados de alto desenvolvimento humano pelas Nações Unidas. O dado aparece no Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008, divulgado ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Para fazer parte desse grupo, é preciso ter Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) superior a 0,800 - numa escala que vai de zero a um. Foi justamente a este patamar de 0,800 que chegou o Brasil - o último dos 70 países que estão no topo do ranking no Relatório 2007/ 2008. Foram comparados 177.

Não foi a primeira vez que o País apareceu em um relatório da ONU com este patamar de alto IDH. No relatório de 1998, com dados de 1995, o País já havia ultrapassado a marca de 0,800. No entanto, como o Pnud mudou a forma de cálculo do PIB per capita no relatório de 1999, vários países tiveram, como o Brasil, queda significativa no indicador. Considerando a série atual, com dados de anos anteriores revisados pelo Pnud, é a primeira vez que o Brasil atinge o patamar.

O IDH é calculado a partir de indicadores de expectativa de vida, proporção de adultos alfabetizados, taxa de matrícula nos ensinos fundamental, médio e superior e PIB per capita. Os dados divulgados são, em sua maioria, referentes a 2005. Apesar de 2005 ter marcado a mudança de patamar do Brasil, foi no qüinqüênio que se encerrou naquele ano que foi verificada a menor variação do IDH brasileiro desde 1975.

De 2000 a 2005, o IDH cresceu 1,4%. Antes, de 1995 a 2000, a variação havia sido de 4,8%. O maior aumento foi registrado de 1975 a 1980 - 5,5%. No relatório deste ano, o Brasil caiu de 69.º para 70.º lugar. Em 2006, no entanto, apenas 63 países tinham IDH superior a 0,800. Neste ano, são 70, sendo o Brasil o último da lista.

O Pnud alerta, entretanto, que as comparações de um ano para outro são imprecisas porque os dados estão sujeitos a revisões, que fazem com que a posição se altere artificialmente num curto período. Foi o que aconteceu com o Brasil. No relatório de 2006, o País aparecia com esperança de vida de 70,8 anos. Agora, subiu para 71,7. Esse aumento de quase um ano na expectativa de 2004 para 2005 (o relatório traz dados de ao menos dois anos antes) foi fruto da revisão em 62 países onde as estimativas de incidência, transmissão e sobrevida dos infectados com HIV/ aids estavam desatualizadas.

Ao rever o dado de 2005, o Pnud refez o cálculo de 2004. Em vez dos 70,8 anos divulgados no relatório do ano passado, o Brasil já estaria com esperança ao nascer de 71,5 anos. PIB per capita O mesmo foi feito com os dados de PIB per capita, calculado em dólares, mas levando em conta o poder de compra da moeda em cada país para permitir a comparação. Foram revisados dados de 159 países.

No Brasil, o PIB per capita chegou a 8.402 dólares Poder de Paridade de Compra (PPC). Em relação ao dado do relatório do ano passado (8.195 dólares PPC), a variação teria sido de 2,5%. No entanto, com a revisão, o valor de 2004 foi corrigido para 8.325, o que significou uma variação real de 0,9%. De 2004 para 2005, a ONU registrou pouca alteração nos dados da educação para o Brasil. Nesse caso, Flávio Comin, assessor especial do Pnud, alerta que os dados de 2005 não foram atualizados a tempo de entrar no relatório deste ano, o que explica essa estagnação.

Numa comparação mais abrangente, considerando só os 141 países com dados comparáveis de 2000 a 2005, o Brasil perdeu seis posições no ranking (da 51.ª para a 57.ª). Já na comparação de dez anos (1995 a 2005) com 144 países, o País teria caído apenas uma posição (da 57.ª para a 58.ª).

Comparando os países da América Latina e Caribe, o Brasil ficou em 11.º lugar no relatório deste ano. O Índice de Desenvolvimento Humano foi elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), na década de 1990 para medir o progresso social de cada país, a partir de dados de renda, saúde e educação.

Na saúde, o indicador escolhido é a expectativa de vida ao nascer. Na educação, calcula-se a taxa de alfabetização de adultos e a de matrícula escolar. O último indicador é o PIB per capita em dólares PPC, com distorções cambiais corrigidas.

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Desigualdade social continua

Rio - O Brasil permanece como um dos países mais desiguais do mundo, mas a queda de 2000 a 2005 no índice de Gini - que mede a concentração de renda - faz com que, aos poucos, o Brasil vá se afastando dos países que lideram esse ranking negativo. Há cinco anos, quando o Pnud divulgou seu Relatório de Desenvolvimento Humano de 2002 - com dados até o ano de 2000 -, o Brasil tinha um indicador de desigualdade de renda inferior apenas ao de cinco países africanos. O índice de Gini em 2000 estava em 60,7. Cinco anos depois, caiu para 57,0 - quanto mais próximo de 100, mais desigual. Foi uma redução tímida, mas suficiente para o País perder cinco posições no ranking.

Hoje, países como Namíbia, África do Sul, Bolívia e Haiti apresentam padrão de concentração de renda pior do que o brasileiro. Mas, se forem comparados apenas as nações de alto desenvolvimento humano, o País apresenta a maior desigualdade medida pelo índice de Gini.

O país menos desigual é o Japão (índice 24,9). Na avaliação de Kevin Watkins, diretor do escritório do Relatório de Desenvolvimento Humano do Pnud, a tendência de queda da desigualdade brasileira é robusta e isso tem tido impacto também na redução da pobreza. “O País está se movendo na direção certa, mas ainda há um longo caminho a percorrer”, diz Watkins.