O Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp) vai tomar medidas judiciais contra mais uma operação ilegítima de escolta de preso determinada pelo Deinter-6, sob a responsabilidade do delegado de polícia, diretor da unidade, e que custou as vidas de dois policiais civis e um terceiro ferido que continua internado. A trágica operação culminou com o resgate de todos os presos por volta das 19h30 do último dia 21 de novembro, na altura do quilômetro 274 da rodovia Padre Manuel da Nóbrega em Cubatão, quando os policiais civis Marcelo dos Santos Valença e Nilson Silva de Oliveira faziam a escolta de prisioneiros do Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Vicente que haviam sido ouvidos em audiências no Fórum do Guarujá. A viatura que estava apenas com os dois policiais para garantir a segurança dos cinco presos, sendo um deles integrante do Primeiro Comando da Capital, foi interceptada por cerca de oito criminosos em quatro veículos e que já chegaram atirando contra os dois policiais com armas de grosso calibre. O policial Nilson não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo no local, enquanto seu colega Marcelo era socorrido e continua internado até o presente momento no Hospital Modelo de Cubatão.
Ao serem informadas da ocorrência várias viaturas das polícias civil e militar foram até o local, entre elas viaturas do GOE, onde estava o policial Cícero Roberto de Oliveira, que ao ver o policial Nilson morto com vários tiros, ainda no local do resgate não resistiu ao golpe e acabou também morrendo depois de sofrer cinco paradas cardíacas. Indignados, os policiais civis mormente os investigadores de polícia, através do presidente do sindicato, João Batista Rebouças, debita toda essa tragédia, que mais uma vez deixa a polícia civil de luto, à incompetência das autoridades administrativas.
Não justifica o diretor do Deinter-6 alegar, como fez pela imprensa, que não sabia da periculosidade dos detentos, pois de qualquer forma aqueles dois policiais civis jamais poderiam estar fazendo aquele trabalho de escolta de presos, uma vez que não é atribuição da Polícia Civil e muito menos apenas dois para transportar cinco presos. Até quando os nossos policiais vão continuar morrendo, enquanto as autoridades, que deveriam administrar a instituição, continuam aceitando todo tipo de atribuição que não diz respeito ao trabalho de Polícia Judiciária?
Para o transporte de presos existem pelo menos no papel, funcionários do Sistema Penitenciário cujas atribuições são exatamente essas mas que na prática continua sobrando para a Polícia Civil sob a inércia das autoridades. Destaca o presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia, que representa o espírito de revolta dos policiais, informando que o Departamento Jurídico da entidade vai cobrar do Poder Judiciário que apure as responsabilidades pela tragédia que culminou com as mortes dos dois policiais civis e as lesões daquele que continua hospitalizado. Nós de Bauru e região somos solidários ao presidente e toda diretoria.
Francisco Macegoza - representante do Sipesp de Bauru e região