Islamabad - O general Pervez Musharraf toma posse hoje como presidente civil do Paquistão, após comandar oito anos de regime militar. Agradecendo pela “assistência e cooperação” de seu sucessor e da cúpula do Exército, o ditador passou ontem a chefia das Forças Armadas a Ashfaq Kayani, aliado que deve dar continuidade às políticas antiterrorismo que renderam a Musharraf uma aliança especial com os Estados Unidos após o 11 de Setembro.
“Tenho orgulho de ter comandado as melhores Forças Armados do mundo”, afirmou o general, que passou 46 dos seus 64 anos na instituição. O exagero não é de todo despido de bases concretas: o Paquistão tem a bomba atômica, conta com 600 mil soldados e um poderio militar desproporcional aos seus frágeis indicadores sociais.
O Exército, a quem Musharraf atribuiu hoje a responsabilidade pela “união nacional”, permeia a vida política do país. Seu apoio continua fundamental para Musharraf, que desde o dia 3 governa sob estado de emergência e viu sua credibilidade doméstica ruir neste ano, acossado entre a oposição democrática e a insurgência islâmica.