08 de julho de 2026
Geral

Deficientes têm dia de teatro e passeio

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 250 deficientes físicos e mentais entre 5 e 70 anos comemoraram ontem o “Dia Internacional da Pessoa com Deficiência” com muita diversão. Instituída pelas Nações Unidas em 1998, a data foi celebrada em Bauru com um passeio de trem, em uma parceria com a América Latina Logística (ALL) e secretarias municipais de Cultura (SMC) e de Esportes e Lazer (Semel).

Usuários da Sociedade de Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri), do Lar Escola Santa Luzia e do Lar Escola Rafael Maurício saíram por volta das 9h da manhã da Estação Ferroviária, com parada em Agudos e destino a Lençóis Paulista. Em cada cidade, os vagões eram carregados com mais algumas dezenas de assistidos pelas unidades da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).

O passeio foi encerrado às 15h, quando todos os portadores de deficiência desembarcaram em Bauru. O clima de alegria e satisfação era evidente. “O trem ainda traz um grande fascínio às pessoas. Tivemos música e a participação de palhaços que animaram o pessoal durante todo o passeio. Foi um dia diferente e eles curtiram muito”, observa Susana Libório Godoy, vice-coordenadora do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comude), entidade que organizou a atividade.

Ainda durante a manhã de ontem, a unidade do Poupatempo em Bauru também ofereceu atividades para comemorar a data e conscientizar a população sobre como lidar com os portadores de deficiência. A Sorri apresentou duas peças teatrais com a utilização de fantoches de quase 1 metro de altura e distribuição de cartões de comunicação em Libras, Braile e alternativos, como figuras.

A encenação com bonecos portadores de deficiência física, que tem por objetivo diminuir o preconceito existente na sociedade, aglomerou cerca de 150 pessoas. “Pela reação do público, acredito que conseguimos transmitir uma visão mais positiva e destacar as potencialidades das pessoas com deficiência. Além disso, ficou claro que a comunidade tem interesse em obter mais informações a respeito do assunto”, destaca a psicóloga Gilda Maria Albaricci Alves, responsável pela atividade.

À tarde, também na sede do Poupatempo, 16 alunos da Apae de Bauru encenaram o espetáculo ‘Raízes do Meu Brasil’, ganhador do 1º lugar em artes cênicas do 11.º Festival Regional Nossa Arte.

Visibilidade

Para a professora de pedagogia e doutora em educação especial Relma Urel Carbone Carneiro, os avanços alcançados nos últimos dez anos são visíveis, mas ainda existem muitos desafios a serem superados. Segundo ela, o Brasil é considerado um País com uma legislação moderna em relação às políticas públicas voltadas a pessoas com deficiência.

No entanto, ainda não foram estabelecidos mecanismos eficientes para implementar essas diretrizes. “Temos políticas específicas de inclusão na área de educação, no mercado de trabalho, no atendimento de saúde, mas não está determinado quem vai se responsabilizar por efetivá-las”, diz.

A professora explica que, enquanto a teoria não for colocada em prática, o preconceito persistirá na sociedade. “É necessária a efetivação das políticas públicas para que os deficientes estejam em todos os lugares. Assim, as novas gerações poderão ter maior convivência com eles e mudar o conceito cultural vigente com o passar do tempo”, defende.

Além da inclusão, o acesso à informação é ferramenta indispensável para diminuir o preconceito e integrar o deficiente nos diversos setores da sociedade.