08 de julho de 2026
Geral

Voluntário: aptidão, dom e gratidão

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

Hoje comemora-se o Dia Internacional do Voluntário, data dedicada a pessoas que, além de seus afazeres domésticos, pessoais e de trabalho, guardam um pouco de seu tempo para auxiliar aqueles que mais necessitam através de roupas, comida, alegria ou até mesmo uma palavra de conforto, carinho e amizade. Não existe “tempo ruim” para os voluntários. Eles estão sempre prontos para ajudar asilos, creches, hospitais e toda e qualquer entidade que se prontifique a, no mínimo, respeitar o ser humano diante de algumas de suas dificuldades.

São pessoas que atuam quando família e poder público estão ausentes, fazendo as vezes de pai, irmão, secretários. Rosa Ângela Toniato Puls, coordenadora geral do Grupo Irmã Sheila, realiza trabalhos voluntários desde 1996, quando o grupo foi fundado a partir da necessidade de conforto de que necessitavam pacientes dos hospitais de Bauru.

O trabalho realizado no Pronto-Socorro Municipal contempla a entrega de lanches três vezes por dia, além de visitas semanais ao Instituto Lauro de Souza Lima e à Casa de Criança. São 300 voluntários e nenhum funcionário.

Através de campanhas e doações, o grupo consegue mantimentos para atender a demanda. “Uma parte do gasto é mantida pelo (Centro Espírtita) Amor e Caridade. Não temos empresas ajudando, nem particulares”, avisa. Atualmente, a necessidade é por fraldas geriátricas. Engana-se, porém, quem pensa que somente quem está em situação delicada recebe atenção especial. O grupo disponibiliza produtos de higiene e alimentação também para acompanhantes.

E se a maioria das pessoas dá como desculpa a falta de tempo, Rosa dá o exemplo. Ela afirma que os envolvidos no processo realizam trabalho voluntário em mais de uma instituição. “Fazemos artesanato para ajudar outros lugares e também temos gente que trabalha em casas de sopa, creches, orfanatos...”. Para fazer parte do mundo do voluntariado, ela dá a dica. “Não é só pensar que tem um tempo e agir. É preciso ter responsabilidade e cumprir horários, estar sempre presente e participar das campanhas”, diz. “Às vezes, só uma palavra já basta. Muitas vezes as pessoas querem falar e não têm quem as ouça”, acrescenta Rosa.

Ela afirma que não há um caso específico que a tenha marcado. “Encontramos várias situações no dia-a-dia, fica difícil falar.”

Limpeza e ajuda

São os afazeres domésticos que tomam parte do tempo de Kátia Regina do Amaral. Porém, além da tarefa diária que consiste em lavar, passar e cozinhar, entre outras coisas, ela também arruma tempo para participar de campanhas. São seis anos no grupo Voluntários em Ação. Kátia é voluntária aos finais de semana e, segundo ela, a satisfação é maior do que qualquer outra coisa que poderia ganhar na vida. “Nós mostramos para nossos filhos, amigos e parentes que, se cada um fizer um pouco, chegaremos a um lugar muito bom. Se todos fizessem isso (trabalho voluntário), o mundo seria melhor”. No dia 15, o grupo realizará trabalhos no bairro Ferradura Mirim.

Também no Voluntários em Ação está a aposentada Cecília Prudente Pinceli. Sua vontade em ajudar é tanta que, às vezes, a família fica em segundo plano. “Eu tenho filho e ele às vezes cobra minha presença, mas depois entende que estamos indo para um objetivo maior, que é ajudar quem não tem o que ele tem aqui em casa”. Nada que a faça interromper a rotina iniciada há dez anos. “É muito bom fazer isso, porque é o dia em que eles esperam a gente”, relata. São visitas, entregas de alimentos, visitas a creches em dias alternados da semana. “Cada um tem um propósito na vida. Não é somente o fato de falar que é voluntário, tem que ter aptidão. Todos teriam condições de fazer alguma coisa, como ir ao hospital visitar algum doente ou até mesmo conversar”.

E você, já fez sua boa ação hoje?