08 de julho de 2026
Internacional

Biografia da cantora Edith Piaf comove

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A biografia musical tornou-se, por excelência, o reino da psicologia no cinema. Na cartilha secreta desse subgênero, está escrito que todo artista deve ter passado por uma infância traumática que o levou a uma tendência autodestrutiva na vida adulta, salva apenas por seu talento natural para a arte.

Depois de alguns exemplares hollywoodianos recentes que seguem o modelo à risca, como “Ray” e “Johnny e June”, agora temos um legítimo representante francês com “Piaf - Um Hino ao Amor”, que estréia oficialmente neste final de semana nos cinemas de Bauru.

Mas convenhamos que a vida da cantora Edith Piaf (1915-1963), interpretada por Marion Cotillard, se presta como poucas a esse tipo de abordagem. Na infância, ela foi abandonada doente pela mãe (que sonhava ser cantora), abrigada no prostíbulo da avó (onde quase ficou cega) e levada ao circo pelo pai contorcionista (que a maltratava).

Na adolescência, sua sorte parece mudar quando um empresário (Gerard Depardieu) a convida para ser atração de sua boate, depois de vê-la cantar na rua. Mas ele é morto por conhecidos de Piaf no submundo parisiense, e ela volta ao limbo. Adulta, ela conhece o sucesso, mas enfrenta problemas com drogas e doenças diversas, além da perda de um grande amor (o boxeador Marcel Cerdan).

O diretor Olivier Dahan monta seu filme como um quebra-cabeça melodromático, com um constante vaivém entre diferentes épocas e lugares, no qual cada peça é uma pequena tragédia, a não ser aquelas que mostram Piaf cantando. É convencional, eficiente e muitas vezes tocante -graças, em grande parte, ao trabalho excepcional de Cotillard.

Na mesma cartilha que impõe a psicologia barata, parece estar escrito também que toda biografia musical deve ser protagonizada por um ator em estado de graça, que incorpora o artista como quem recebe um espírito. “Piaf” não é exceção.